80 anos de Avante!, a voz de quem trabalha e luta por uma vida melhor


Há 80 anos a publicar notícias de quem trabalha e luta, o Avante! sai esta semana, mais uma vez, para cumprir o seu papel de organizador colectivo, agitador colectivo e propagandista colectivo.

A 15 de Fevereiro de 1931, o órgão central do Partido Comunista Português lançava a sua primeira manchete: “Ao proletariado de Portugal”. Eram, então, os anos da construção da mais longa ditadura fascista da Europa. O povo português assistia ao esmagamento do movimento sindical e operário, à proibição dos partidos e ao encerramento dos seus jornais. Nesse contexto, só o PCP optou por resistir e prosseguir o combate.

O Avante! é, em todo o mundo, o jornal que mais tempo resistiu na clandestinidade, sempre composto, impresso e distribuído no interior do País. Para isso, foi necessário montar um poderoso e organizado aparelho clandestino, capaz de iludir a polícia e resistir às constantes perseguições. Mesmo nas raras vezes em que a repressão localizou e assaltou uma tipografia clandestina, logo outra entrava em funcionamento.

Nada disto seria possível sem a dedicação, a coragem e a entrega sem limites de numerosos comunistas que consagraram a sua vida à imprensa do PCP. Como explica o Avante! desta semana, vidas inteiras passadas a compor, à meia-luz, com minúsculas letras de chumbo, milhares de páginas do Avante!; a imprimi-las com o pesado rolo; a defender a tipografia de forma a não levantar suspeitas; a desmontar tudo e a fugir, sempre que se desconfiava que a polícia pudesse andar a rondar; e a montar tudo novamente noutro sítio. Vidas dedicadas a fazer chegar os textos aos tipógrafos e os jornais ao povo, calcorreando milhares de quilómetros a pé ou de bicicleta, sempre sob a ameaça de prisão – que poderia significar, e em alguns casos significou, a tortura e a morte.

Foi o caso de José Moreira. Morreu na tortura em 1950, recusando-se a entregar à PIDE a localização das tipografias clandestinas. Também José Dias Coelho, artista plástico autor de algumas das mais célebres ilustrações que embelezaram as páginas do Avante!, caiu. Foi varado às balas da PIDE 11 anos depois. A professora primária Maria Machado foi torturada e não denunciou os seus camaradas, e Joaquim Rafael acabaria por sucumbir poucos dias depois do 25 de Abril com a saúde arrasada pelo chumbo com que trabalhou em 25 anos enquanto tipógrafo clandestino.

O Avante! também é o jornal que dá nome à maior festa político-cultural portuguesa. A 30 de Setembro de 1976, o jornal comunista anunciava a “Festa que Portugal nunca tinha visto”. Ainda hoje se mantém como um evento excepcional que surpreende quem nunca ali tenha estado. As 33 edições já passaram por vários locais e foram participadas por milhões de portugueses. Foi e continua a ser a festa da classe trabalhadora.

80 anos depois, o Avante! continua a ser o que sempre foi. É o semanário que rompe a censura e a manipulação dos principais órgãos de comunicação social portugueses. O Avante! assume-se orgulhosamente como um jornal de classe e ostenta a consigna “Proletários de todos os países, uni-vos!”. Sendo o jornal dos sem voz, assume as suas posições e os seus inimigos de classe. E é por isso que, hoje, milhares de comunistas vão estar de norte a sul do País, divulgando o Avante! junto dos trabalhadores.

Este artigo foi publicado em cinco dias and tagged . Bookmark the permalink.

15 Responses to 80 anos de Avante!, a voz de quem trabalha e luta por uma vida melhor

Os comentários estão fechados.