Afinal o escravo só vai observar

A propósito deste “prémio” não resisto a colocar o comentário que durante esta tarde alguém que assina com o nome da entidade que promove o suposto “prémio” aqui colocou:

A ArtistLevel existe com o único propósito: promover os Artistas. Reunindo vários conceitos num só (portal de arte, rede comunitária de artistas, formação artística, produção de eventos físicos e divulgação de conteúdos de carácter informativo, crítico e estético), a ArtistLevel Networks potencia a visibilidade dos seus artistas, gerando oportunidades reais de divulgação, exposição, formação, internacionalização e venda. Desde a fundação da ArtistLevel, esta já realizou mais de duas dezenas de eventos e exposições, potenciando visibilidade a mais de uma centena de artistas plásticos, arquitectos, designers e músicos.
Assim sendo, a ArtistLevel, entendendo que os arquitectos, para além de técnicos, são Artistas, procura criar actividades pluridisciplinares para ampliar o âmbito e o interesse geral das mesmas.
A ArtistLevel lança o concurso ArtistLab | Jovens Criadores 2011, a pensar em todos os “seus” artistas; perante a dificuldade em encontrar patrocínios e a impossibilidade de conseguir um prémio monetário justo, procura alternativas, nomeadamente que ajudem no inicio e construção da carreira dos seus participantes.
Os membros do júri, que amavelmente aceitaram o convite da ArtistLevel exclusivamente para participar na apreciação dos trabalhos submetidos ao concurso, não podem nem devem ser responsabilizados pelas acções da ArtistLevel, nomeadamente na escolha do “prémio” a atribuir.
O prémio adoptado, diferente do habitual conceito de prémio, subentende a participação do(s) artista(s) vencedor(es) em diversas actividades de promoção da sua obra, nomeadamente pela integração em uma exposição colectiva, uma residência artística e, finalmente, numa exposição individual. A ArtistLevel considerou este prémio como sendo atractivo para os concorrentes, na medida em que, em apenas 1 ano, possibilita ao jovem artista acumular experiência e currículo, para ajudar ao inicio da sua carreira profissional.
Pensando especificamente na Arquitectura, e no actual contexto sócio/económico no qual estão a encerrar cerca de 45.000 empresas/ano, a equipa da ArtistLevel considerou ser importante ter como alternativa para o inicio da carreira do jovem arquitecto, um primeiro contacto com a vida profissional num ateliê de arquitectura – em detrimento da experiência pluridisciplinar como é o conceito de residência artística. Contudo, ao intitular de “estágio” essa mesma experiência, confinando-se ao seio da arquitectura, gerou grande polémica. Na realidade, não se trata de um estágio profissional – não tendo sequer a duração necessária para o poder ser -, trata-se sim de uma experiência de 3 meses num ateliê, cujo objecto do trabalho ali desenvolvido, seria parte integrante da apresentação do jovem arquitecto na exposição individual em 2012, beneficiando ainda do contacto e auxílio de arquitectos experientes.
A ArtistLevel Networks lamenta profundamente todo o mal entendido gerado em torno do prémio do Concurso ArtistLab | Jovens Criadores. Lamenta mais ainda, que tenham sido tecidas críticas aos elementos do Júri e parceiros envolvidos, que ao quererem auxiliar na promoção dos jovens artistas e arquitectos, são alvo de injúrias.
Perante a desagradável situação em que se encontram os membros do Júri, nomeadamente da área da arquitectura, as visíveis críticas a uma acção que, tão só e apenas, pretende ajudar os artistas, e não querendo de forma alguma ofender a classe dos Arquitectos, a ArtistLevel Networks resolve excluir a categoria de Arquitectura do âmbito deste concurso, ficando a esperança que todas as vozes críticas que se levantaram, façam mais do que isso e consigam, ou pelo menos tentem, ajudar os seus jovens colegas de uma melhor forma.

Atentamente,
ArtistLevel Networks

A minha resposta:
Pior a emenda que o soneto. Se bem percebi o que proporcionam aos vencedores do concurso é uma observação de um atelier de arquitectura, imagino que sem horário de trabalho ou sem necessidade de produzir trabalho. Ou será uma espécie de viagem, todos os dias, à mesma hora, ao mesmo local.
Fora de brincadeiras, esta resposta é absurda e insultuosa, não para a “classe dos arquitectos”, para todos os seres humanos.
Honra seja feita aos membros do júri que já anunciaram que não se prestam a seleccionar o escravo que se segue.

Este artigo foi publicado em cinco dias. Bookmark o permalink.

11 Responses to Afinal o escravo só vai observar

Os comentários estão fechados.