A revolução a quem a trabalha!

Uns dizem que a revolução é democrática, anti-teocrática e contra o despotismo. Outros declaram que a revolução é islâmica e talvez até de inspiração iraniana. Não me admirava que haja quem pense que ela é autonomista, negrista, budista ou vegetariana mas admito que dá um gozo especial ver muçulmanas de véu a ultrapassar em emancipação as damas do burn the bra à portuguesa. No meio do barulho ainda se encontra quem apenas se preocupe em dizer que nada do que se está a falar pertence aos outros, talvez para fazer esquecer que tudo o que por ali se passou também é da sua responsabilidade. Sem me querer juntar ao coro com tanto optimismo, acredito que na Praça Tahrir nem todos serão marxistas revolucionários ou trotsquistas leninistas. Com tanto egocentrismo ideológico era sensato percebermos que, até agora, a única coisa incontestável que o povo egípcio disse é que é contra o Mubarak, pelo que só depois da sua saída de cena, do fim do seu terror, mediante eleições livres e o avanço ou não dos organismos de duplo poder é que poderemos começar a tirar conclusões mais científicas. Do que tenho lido por aí poucos vão além do wishful thinking dos suspeitos do costume.

Posto isto faz sentido reformular uma velha pergunta: de quem é a Praça da Libertação?

لدينا!

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