Onde andam as feministas quando mais precisamos delas?

Há dias um leitor alertou para esta reveladora publicidade. O movimento feminista burn the bra, entretido em discutir véus e em ostracizar as mulheres muçulmanas, entretido em levar o patriarca Alegre à presidência, entretido na defesa da paridade e na subida das mulheres na hierarquia das empresas, entretida com a inserção de @ na escrita e na linguagem, tem-lhe faltado alguma atenção aos problemas que se passam mesmo debaixo do seu nariz.

Enquanto as “obscuras” mulheres árabes e magrebinas estão na vanguarda da luta contra o despotismo, as “livres” mulheres ocidentais continuam, na maior parte dos casos, presas à maternidade, à cozinha, ao salão de beleza, ou na melhor das hipóteses, à carreira.

Sempre com a boca cheia de verve para atirar ao primeiro machista que lhe aparece na esquina sem dizer todos e todas e eles e elas, melhor seria que o movimento se preocupasse em acabar primeiro com o sexismo de género que mantém as mulheres ocidentais presas ao grilhões da sua própria condição.

Para ser livre não basta ter os cabelos ao vento e os mamilos despontados com orgulho e sem espartilhos. É preciso, antes de tudo mais, arejar as ideias que, como é bom de ver, andam demasiado distraídas em festas.

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