O BE e o balanço da campanha Alegre

O João Teixeira Lopes publica no esquerda.net um artigo de balanço da campanha de apoio ao Alegre. Começa por uma afirmação que nem vou comentar: «O Bloco de Esquerda empenhou-se com entusiasmo na campanha de Manuel Alegre.» Depois reconhece que «a candidatura saiu derrotada». Também reparei nisso. E acrescenta: «Mas que ninguém tenha dúvidas: a impopularidade do Governo e das suas medidas de austeridade são a principal componente desse fracasso.» Pois, é capaz de ter razão. Mas por que raio o BE andou estes meses a apoiar um candidato que procurou insistentemente a companhia, e obteve-a, deste Governo impopular e das suas medidas de austeridade?

Desde o 25 de Abril, o PS já esteve 23 anos no poder, em 13 governos, sozinho ou acompanhado (desde 1976 apenas por PSD e CDS). Quem quer nomear uma medida socialista tomada por algum destes governos ‘socialistas’? O chamado ‘Despacho Arnaut’, que lançava o Serviço Nacional de Saúde, data de 1978. Lembram-se de mais alguma desde então? (e já lá vão 33 anos, a idade em que o Cristo começou a pregar…)

A estratégia do BE de ocupar o espaço de uma social-democracia que – mais a sueca que a nacional – defendia o SNS, a escola pública, etc., abandonado há muito pelo PS, não encontra interlocutores entre as figuras do actual PS. Olha-se para um lado e para o outro e não se vislumbra um, nem unzinho como dizem os brasileiros. O que se passou com a campanha de Manuel Alegre é a prova disso. Manuel Alegre esteve onde sempre tem estado desde 1974: nas bancadas do PS. Ao lado do Assis e ao lado do Sócrates, claro. Daqui que para ocupar esse espaço político vago, parece que o BE precisa é de ser socialista, não de aliar-se a tais figuras de um partido que só por escárnio se chama ainda PS.

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