Estado Velho


Estado Velho

Eles existem, continuam a existir. Mas da outra banda do Mediterrâneo estão a levar uma sova. Como no poema abaixo, «até ao raio que os há-de partir!» Aqui vai esta em homenagem aos tunisinos, egípcios, jordanos e outros hermanos que hoje se batem por eles e por nós. E também ao Ary dos Santos, que morreu num dia de Janeiro, há já 27 anos (a 18, não a 28, mas isso são pormenores).

Letra: José Carlos Ary dos Santos
Cantava: Francisco Fanhais

Ah! Não há dúvida
Vocês existem, vocês persistem

Vocês existem com grémios e tribunais
Medidas de segurança e capitais
Plenários mercenários festivais
Grades torturas verbenas
Cativeiros de longas penas
Com vista para o mar
Para matar

Palhaço
Lacrimogénio
Capacete de aço

Vocês existem bordados a ponto-cruz
Fazendo a guerra, sugando o povo, sorvendo a luz
com Estoris, cocktails, recepções
Canastas e rallies
Whisky, cocktails, cherries
Trapeiras, esconsos, saguões
Discursos, salmão, lagostas
Pão duro, desespero e crostas
Sorrisos de hospedeiras
E assassínios de ceifeiras

Palhaço
Lacrimogénio
Capacete de aço

Vocês existem, baionetas e chá com bolos
Cooperativas, clubes de mães
Concursos de gatos e cães
Cães de luxo para lamber
Cães polícias – polícias cães
Para morder
Barracas de lata para viver
Salários de fome para sofrer
Trapos, suor e lodo
Amáveis conversas de casaca
E sobre as nossas cabeças
A matraca

Palhaço
Lacrimogénio
Capacete de aço

Ah! Não há dúvida
Vocês continuam a existir
Até ao raio que vos há-de partir!

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