Heróis da revolução magrebina – Lucas Mebrouk Dolega 1978 – 2011

São já perto de 100 as pessoas que morreram só na Tunísia ao longo do último mês de revolta onde as mobilizações populares já derrubaram o ditador Ali, que se exilou na Arábia Saudita, e o governo de salvação nacional que os partidos da oposição tinham patrocinado para o suceder. Aquela que já é considerada a revolução magrebina, com impactos assinaláveis no Egipto, na Argélia, na Líbia e na Mauritânia, tem também sido ouvida em Amã, em Gaza, em Damasco e em Beirute. O que parece ser a concretização de um dos piores pesadelos da CIA, um mediterrâneo vermelho, a realidade mostra que é compreensível a inquietação do imperialismo. Se a fronteira ocidental se estendia de Cabul a Beirute, o seu contágio ao Norte de África abre a maior trincheira desde a segunda guerra mundial e baralha as contas dos que julgam que têm sempre tudo e todos debaixo de olho ou de amarras. Aliado a isto, a forte comunidade imigrante na Europa levou Sarkozy a não aceitar Ali, quando a França sempre foi um bom despejo para tudo quanto foi tirano, e os pontos de contacto com a Grécia, Turquia, Itália e principalmente a França, está a fazer quebrar os fios das marionetas que mantinham aparentemente apaziguadas.

Lucas Mebrouk Dolega, um foto-jornalista de 32 anos, foi apenas mais um entre as muitas vítimas que o conflito já gerou e é a primeira vítima que não tem nacionalidade tunisina. Todas as outras são merecedoras do nosso tributo, assim como as que continuam a colocar a sua vida para evitar que o levantamento e o fim da ditadura se transforme noutra farsa merecem todo o nosso entusiasmo. Sem Lucas a sua história nunca teria sido conhecida, pelo que importa contar, em jeito de lição e de homenagem, a história de Lucas.

Somos todos Lucas Mebrouk Dolega! Somos todos magrebinos!

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