IMPORTANTE: De como logo que aqui cheguei (ao “5dias”), eu pude mostrar ter toda a razão quanto a este tema: que ou Manuel Alegre destruía o “PS”, ou este o destruiria a ele, Alegre, o bardo (e fiquei-me na expectativa, exigindo o mínimo:)

Em 17 de Novembro, 2008, acabado de chegar a estas páginas como disse, publicava aqui um muito comentado (sobretudo noutros blogues: dos corporativos às conquilhas…, etc.) post intitulado “O que eu desejo para a esquerda em Portugal”. Nesse texto, começava eu por revelar não ter grande apreço e muito menos afinidades pela democracia representativa, parlamentar, ou capital-parlamentarismo, evocando então uma recente obra colectiva intitulada “Ceux qui préfèrent ne pas”, precisamente virada contra a democracia-voto (periódico, instrumental, inútil), com textos, entre outros de Badiou, Bernard Stiegler, Michel Surya ou o já muito seguido Mehdi Belhaj Kacem. Neste livro, o seu organizador (Alain Jougnon) sintetizava muitíssimo bem o problema:

“NE PAS VOTER, AUJOURD’HUI, C’EST CONTINUER À ÊTRE LE POUVOIR, TOUJOURS” !!

De qualquer modo, ainda assim, deixava eu no meu post dois imperiosos votos ou desejos para a esquerda parlamentar concretizar (uma vez que, apesar de me sintonizar com o livro em causa, eu voto, e voto PCP); cito do post:

– O “PS” é e deve continuar a ser o inimigo número 1 da esquerda portuguesa, mais agressivo e pernicioso do que o PSD (!!); logo, uma solução a ser realizada por Alegre depois das presidenciais que lhe correram razoavelmente bem (apesar de não termos tido 2ª volta; contudo os resultados de Alegre surpreenderam): 

O nosso inimigo primeiro é o “PS”, repito, tal como criado, formatado e estruturado por Mário Soares e agora continuado por JSócrates. Qual a solução e que fazer: «uma solução, por mim desejada, (…) – que este PS, debaixo da pressão de Manuel Alegre, e se este o quiser encetar, se fragmente irremediavelmente numa ala verdadeiramente de esquerda (não anticomunista primária) e noutra ala centrista-liberal: o PS necessitaria de se fragmentar em dois partidos para que a esquerda em Portugal tivesse futuro».

Bom, chegámos ao dia de hoje e ao mês de Janeiro de 2011, mês de humilhação e segunda vitória anunciada da “estátua do comendador”. É sabido que Alegre, apesar de ter hesitado na altura, viu umas fotos suas nas fachadas do Rato (não inocentemente colocadas!), “comoveu-se”, não cumpriu a sua missão à esquerda e nada de decisivo encetou para o futuro de Portugal – pelo contrário, até apareceu ao lado de JSócrates num recente comício… O “PS” manteve-se infelizmente intacto e um falso “ponto de encontro” para carreiras e empregos, sem pensamento/ideologia/programa (ganhando com isso um poder em versão prolongada, como também Carrilho subscreverá). Como não cumpriu a sua missão, quiçá histórica, prepara-se agora Alegre para ser humilhado pelo mesmo “PS” que, segundo estudos, do seu eleitorado (o mais oportunista e atrasado politicamente do país) apenas dará cerca de 20% ao bardo, que se arrisca agora a não chegar nem ao 1000000 de votos !!

Pelo meio, depois do meu primeiro desabafo, o post citado acima, ainda voltei ao tema a 25 de Janeiro, 2010, com outro texto: “Única saída digna para Manuel Alegre: realizar a fractura absoluta ou Nada!!”, e de novo ninguém (me) ouviu; escrevi:

– «Que Alegre, de imediato, se desfilie dessa organização grotesca que é o “PS”, e se não o fizer que assuma (de preferência sozinho, ou com o BE) as consequências. Que, DESFILIANDO-SE, o faça explicitamente, claramente, expondo as suas razões com nitidez (com quem rompe e porque rompe). Que dessa desfiliação imediata e de confronto resulte uma fractura irremediável dentro da coisa chamada “PS”, que dessa fractura (um processo de higienização da vida política portuguesa) emerjam os poucos (ou alguns) eleitores de esquerda que aí ainda se vão arrastando (na coisa “PS”) e que esses, eventualmente com Alegre, se disponham a lutar pelo seu espaço político e pelo seu candidato, candidato assim feito homem e político (…)».

Ninguém (me) ouviu. Mas, dia 23 próximo vou ser ouvido.

[Post scriptumno eleitorado PS, o actual Presidente da República consegue 35%, mais do que Manuel Alegre que é apoiado pelos socialistas e BE. O candidato poeta surge em segundo lugar na intenção de voto dos portugueses com 20,8% dos inquiridos a admitirem votar em Manuel Alegre para a Presidência da República. Os bloquistas (36,7%) garantem uma maior base de apoio para a campanha do candidato do que o PS (27,5%)]

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