Somos todos terroristas! Deverá Cavaco Silva extraditar a Helena Matos, o José Manuel Fernandes e o Durão Barroso?

A Helena Matos não gostou que lhe tivesse dito que segundo os critérios que aplica a Cesare Battisti, ela devia ser extraditada e julgada na China pós maoísta. Desse modo, e resgatando o pior que a República Popular da China teve, a ex-camarada tratou de censurar o meu comentário ao seu auto-de-fé.

Indignada com a recusa de Lula em extraditar Cesare Battisti, a ex-maoísta considera que o primeiro problema “é o de não lhe chamar aquilo que ele de facto foi – terrorista – e passar a designá-lo como activista ou mais sonsamente como ex-activista”.

Para Helena Matos que, é sabido, herdou como poucos a dualidade de critérios e o liberal radicalismo, património indiscutível da dissidência esquerdista que se alinhou à direita, a resposta sai fulminante, embora confusa, tal qual ainda estivesse de rifle apontado ao paredão com que defendeu o fuzilamento dos que não alinharam na grande marcha: “o que no mínimo pressuporá que os activistas fazem atentados e planeiam a morte das pessoas (…) Enfim se Battisti em vez de integrar um grupo designado Proletários Armados pelo Comunismo tivesse integrado um grupo armado pelo fascismo ou coisa semelhante não só estava extraditadíssimo como não seria ex-activista de coisa alguma mas simplesmente fascista e terrorista”.

Ora como o maoísmo, para o bem e para o mal, “planeou atentados e a morte de pessoas”, e para a Helena Matos os militantes maoístas serão hoje “terroristas”, ela e os seus camaradas de armas deviam também ser julgados em nome de uma geração inteira.

À pergunta da ex-activista devemos antes perguntar: O que é um ex-maoísta? E ao invés do que Helena Matos entende que devia ser o tratamento a dar a Cesare Battisti, devemos defender que ela não deve ser extraditada para a China. Com alguma pena, é certo, mas não devemos cair na tentação. Isto, mesmo tendo em consideração que, sobre o essencial, “fazer atentados e planear a morte de pessoas”, ela não mudou de ideias tendo mesmo agravado o seu ponto de vista: se ontem era o paredão dos contra-revolucionários, hoje são os iraquianos, os afegãos e os palestinianos.

Sempre que uma Helena Matos gritar pelo julgamento de ex-activistas, devemos responder, orgulhosamente, que somos todos terroristas e lembrar que esse é o nome que os regimes escolhem, principalmente quando perdem a razão, para classificar quem não se coloque de acordo com os seus pressupostos.

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