HAPPY NEW FEAR!

São os votos dos camaradas gregos, italianos e ingleses, da resistência palestiniana, afegã, iraquiana e libanesa, com um carinho especial para 14 dos responsáveis pela miséria imposta em nome da violência da sua mais-valia, com destaque para Obama, Berlusconi, Merkel e Sarkozy.

[E foi assim, até ao último dia do ano]

É absolutamente notável ver como todas as notícias repetem à exaustão o slogan “colocar em risco a vida de inocentes”, quando em nenhuma das acções mais violentas, da parte dos contestatários, resultou um único morto. Bem pelo contrário, e mesmo sem contabilizar os mortos gerados pelos conflitos militares nem tão pouco os que a crise já terá lavrado mitigadamente, são dezenas os manifestantes que já caíram por terra desde o famigerado assassinato de Carlo Giuliani, na aurora do movimento anti-globalização, no G8 de Génova, em 2001. Seria interessante que por cada acção imperial que “coloca em risco a vida de inocentes” a mesma citação fosse igualmente repetida à exaustão, e que quando contam, de facto, o “número de vítimas inocentes”, evitassem que se abra caminho a todo o tipo de floreados literários para ocultar a responsabilidade moral do óbito.

Pode portanto não parecer, também porque estamos a viver o calor dos acontecimentos, mas esta década ainda vai dar muito que falar e terá lançado as bases para nunca mais voltarmos ao fim da história. Se é verdade que se continua longe de rasgar novos horizontes na idealização de uma nova forma de vida, já deixamos de ser, globalmente, os carneiros mansos que fomos nas duas últimas décadas do século passado.

O que aconteceu pela primeira vez há 10 anos, passou rapidamente a acontecer várias vezes por ano e não apenas quando as grandes organizações internacionais se reúnem. Em 2011 tudo indica que podem acontecer praticamente todos os dias, a pretexto de tudo e das mais variadas maneiras, espalhados um pouco por todo o mundo. Os profetas de Fukuyama quiseram roubar-nos o presente mas em contrapartida nós tomámos de assalto o futuro. Não havia, infelizmente, outro caminho.

[ver também na RTP]

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