QUEM NÃO PAGA NÃO MAMA! – Lições sobre a propriedade privada III

Mais informações no seu portal oficial: jdanielmedina.wordpress.com

Esta posta do Daniel Medina faz uma defesa abjecta do capital rendeiro, tomando o inquilino como uma espécie de chulo do proprietário. Não bastava o pobre do visado ter sido sujeito à bufaria inqualificável de um senhorio, ainda teve que gramar com a delação fotográfica de um escriba aqui da tasca. O Daniel Medina teria mérito se procurasse, a partir do que viu mas sem se tornar cúmplice, levantar os temas que rodeiam o complexo problema da habitação e da propriedade. Mesmo sem querer pensar as possibilidades da propriedade colectiva e evitando a maçada de autores ainda mais aborrecidos, Daniel Medina, que está visto se preocupa em igualdade de circunstâncias com o tecto de todos, poderia pelo menos ir beber qualquer coisa a Proudhon:

“A casa de aluguer é abolida… O valor da casa é pago ao seu actual proprietário até ao último centavo. Em vez de, como até aqui, o aluguer pago representar o tributo que o inquilino paga ao eterno direito do capital, em vez disso a soma exactamente regulamentada paga pelo inquilino torna-se, a partir do dia em que é proclamada a abolição das casas de aluguer, na amortização anual da habitação que transitou para a sua posse… A sociedade… transforma-se por esta via num conjunto de livres e independentes proprietários de habitações. (…) A abolição das casas de aluguer é uma das aspirações mais fecundas e grandiosas, nasce do seio da ideia revolucionária e tem de tornar-se uma reivindicação de primeira ordem por parte da democracia social.”

Sem querer parecer saudosista, pois o bate papo levou-me a descobrir que a lei que apoquenta o Daniel e alguns, poucos, proprietários, até é da segunda República, fiquemos pelo menos pela alternativa mais pacifista que a esquerda produziu nesta matéria. Ao menos esses não apontam o dedo para que quem está no fim da cadeia alimentar da habitação, da terra e dos meios de produção, fazendo com que sejam eles a pagar a justiça dos que já vivem demasiado bem da renda que exigem ao trabalho dos outros, sem que muitas vezes para isso tenham que ter tido trabalho algum.

PS: Esta posta tem o apoio da Remax – A despejar e a especular desde 1973 – e os prémios De Mim Para Ti foram evidentemente suspensos por concorrência desleal.

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