WIKILEAKS (2): O “filósofo da imagem” pobre, sr. J. Lopes, “respondeu” prontamente ao meu email de há pouco

Começa assim a missiva de resposta (a mim dirigida, depois do post que lhe dediquei) do nosso “pobre filósofo da imagem”:

“A espécie de dimensão social histórica que restaria ainda ao esquecimento sob a forma de culpabilidade, de latência vergonhosa, de não dito, já nem mesmo existe, pois que a partir de agora ‘toda a gente sabe’, toda a gente vibrou e choramingou perante a exterminação [da realidade] (…). Mas o que assim com pouco esforço se exorciza, a troco de algumas lágrimas, não ocorrerá de facto nunca mais porque desde sempre tem vindo, actualmente, a reproduzir-se e precisamente na própria forma em que se quer denunciar, no próprio medium deste pretenso exorcismo.”

Aqui, o nosso “pobre filósofo da imagem” hesita na forma, isto é, melhora-a e muito, retomando uma sua ideia anterior. A sua, muito sua e de sempre (desde que escriba no Expresso foi), denúncia de uma puerilidade informativa libertária que consistiria em “colocar tudo a nu”. Colocar “tudo a nu” é, para o nosso “pobre filósofo da imagem”, inaceitável. Num texto recente e sobre o tema [WIKILEAKS, claro] da nossa troca de emails e impressões, dizia:
“(…) importa reconhecer também que a percepção da sua presença [de Assange, de WIKILEAKS] no nosso mundo se faz através dos mecanismos do próprio universo tecnológico que torna possível a sua presença.”
Sim, é certo, fazer anunciar um projecto de desconstrução da realidade no próprio meio em que esta tende a dar-se-nos é inaceitável. Assange não pode expressar-se “através dos mecanismos do próprio universo tecnológico que torna possível a sua presença” (que belo naco de prosa!!, importa pois saber através de que meios o pobre Assange pode expressar-se segundo J.Lopes).

Mas aqui, continuemos, o nosso “pobre filósofo da imagem” é ainda mais certeiro:

“Todas as mensagens dos media funcionam de maneira semelhante: nem informação, nem comunicação, mas referendo, teste perpétuo, resposta circular, verificação do código. Não existe relevo, perspectiva, linha de fuga onde o olhar e a mente corram o risco de perder-se, mas um ecrã total (…)”, onde o que circula é verdadeiro e é verdadeiro aquilo que circula.

Resumindo, diz o nosso “pobre filósofo da imagem” e crítico acérrimo de WIKILEAKS:

“um mesmo espaço homogéneo, sem mediação, reúne os homens e as coisas, o espaço da manipulação directa. Mas qual deles manipula o outro?”

Tem pois razão o nosso “pobre filósofo da imagem”: o verdadeiro não passa de um momento do falso. Cuidado com Assange. Que vem fazer ao nosso mundo de hoje uma coisa como a WIKILEAKS?? Pois há que resguardar o nosso espaço próprio e perguntar: quem diz a verdade de quê? Quem manipula quem??

(Palavra que não preparei muito este post – limitei-me a abrir ao acaso umas páginas do velhinho Simulacres et Simulation, do bom do Baudrillard)

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