O dia em que a “voz dos mercados” se irritou com um candidato menos suave

Não penso que os debates com Nobre e Alegre tenham corrido especialmente bem a Francisco Lopes. No primeiro, Francisco Lopes, deixou-se irritar pela atitude de arrogância moral/social do candidato-que-viu-uma-galinha-comer-não-sei-o-quê e que, naturalmente, perante o “Presidente da República” se revelou de um imenso servilismo. No caso do debate com Alegre optou por não tornar ainda mais débil as contradições da candidatura do seu oponente, preparando o confronto com Cavaco.

Já o confronto com Cavaco correu-lhe muito bem. A abrir, Francisco Lopes, trouxe para cima da mesa a questão do BPN e as responsabilidades de Cavaco de uma forma que a imprensa suave (neste ponto estou de acordo com Cavaco) nunca fez. Cavaco, visivelmente irritado e nunca olhando de frente o candidato, socorreu-se da colaborante moderadora para evitar responder. Com a boca seca e discurso empastado, Cavaco notou que representava a candidatura moderada por oposição ao radicalismo de Francisco Lopes. O que seria certo, caso as candidaturas seguissem pelo mesmo caminho.

Como Francisco Lopes notou as duas candidaturas seguem caminhos bem diferentes. Cavaco é um fiel seguidor dos mercados, Francisco Lopes entende que há outro caminho a trilhar, com outras políticas e em conjunto com os povos dos outros países alvos da especulação financeira. Ontem ficou muito claro que, repetir a eleição de Cavaco, será abrir as portas de Belém, aos bancos e demais especuladores financeiros. Cavaco é o candidato do FMI.

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