Nuno Teles, o problema não é a proposta ser “um pouco técnica”, o problema é que ela não desafia a sorte.

Visitar o Ladrões de Bicicletas, por estes dias, é enternecedor. Não há, entre os vários acordes do pensamento na esquerda democrática, uma ideia que rompa com o actual estado de coisas. Este paradoxo, entre não querer isto mas não saber o que querer, deixa o reformismo entre a espada e a parede. Ao não ir além das propostas dos programas inseridos no quadrante social-democrata, ao recusar resgatar as soluções de fundo como a nacionalização dos sectores estratégicos e o não pagamento da dívida externa, continuaremos a assistir ao triste espectáculo pela moralização da exploração capitalista. Afinal a treta do capitalismo humanitário não é só do Fundo Monetário.

A propósito do aniversário do Jornal de Negócios e da recolha de 13 ideias para “desafiar a sorte em 2011”, Nuno Teles avança com a proposta de fazer “uma auditoria à dívida pública soberana”. A falta de clareza das suas explicações são clarificadoras quer das suas boas intenções quer da dimensão utópica desta variante de socialismo de mercado. Enfim, para lá do problema político, também não se percebe o dilema moral. Fica-se com a ideia, porventura errada, que é melhor o corno que sabe a morada da amante do que aquele que apenas se preocupa com o que se passa em sua casa. Sem querer com isto defender a via da ignorância para a felicidade, não creio que adiante saber o que quer que seja sem ser capaz de elaborar um programa para acabar de vez com o que nos deixa tristes.

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