Uma tese do Caravaggio

É verdade. O 5 dias está a tornar-se um local perigoso. Carlos Vidal levou a nota máxima, por unanimidade, na sua dissertação de doutoramento, com um trabalho sobre a produção da verdade na arte. A tese com 825 páginas e com uma bibliografia de 511 títulos utiliza o instrumental teórico de Alain Badiou para discutir a arte. Defende que a arte encontra dentro do seu próprio espaço o seu vocabulário. A verdade não tem substância e manifesta-se no acontecimento, quando uma situação é destruída. A longa análise da tese foi devidamente arguida pelo júri. Realço a intervenção combativa da professora Maria Filomena Molder que criticou, apaixonadamente, o “fechamento” das teses de Badiou e a sua interpretação “brilhante”, mas “redutora” de Platão e Heidegger. Não fosse Caravaggio um pintor em que a sombra molda a realidade e em que o que não é visível determina a nossa leitura da pintura, e o facto de grande parte da discussão se ter literalmente feito às escuras, devido a um corte geral de electricidade, não teria tanta graça. O público que lotava a sala aplaudiu no final o novo doutorado. Apesar do grau suspeito, já na segunda-feira o nosso Carlos será forçado a ir para o campo de reeducação do 5 dias. O Renato acha que ele não abordou devidamente a Charia e tem dúvidas se Cristo repetidamente mostrado em pinturas era do Hamas.

Sobre Nuno Ramos de Almeida

TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
Este artigo foi publicado em cinco dias. Bookmark o permalink.