Alguns já sabiam de quase tudo, só não queriam é que nós soubéssemos disso. O problema deles é que agora ninguém pode negá-lo.

O WikiLeaks veio para ficar, gostem ou não os barões e as baronesas. Sabemos que nos querem continuar a esconder  a verdade porque nos mentiram desde o primeiro momento. Alguns sempre souberam que a guerra do Afeganistão nunca foi para caçar o Bin Laden; Alguns sempre souberam que o Iraque não constituía nenhuma ameaça à segurança mundial; Alguns sempre souberam da matança em curso no Médio Oriente desde a fundação do Estado de Israel; Alguns sempre souberam que o Irão vai ser o próximo alvo. Alguns sempre souberam que os EUA operam no mundo como se fossem uma espécie de Freud, omnipresente em praticamente cada esquina da diplomacia, a operar como alter ego dos negócios e das guerras mundiais do último século. Alguns sempre souberam que há lideranças corruptas em quase todos os países do mundo, mesmo nas mais insuspeitas nações, que praticamente todos os partidos que governaram mais do que dois anos estão atolados até ao pescoço nas obscuras esquinas do poder. Os pragmáticos dizem e desdizem o que (quase) sempre disseram em teoria, porque sabem que a consequência prática da verdade é uma bomba atómica nos alicerces dos governos que lhes garante a bonomia.

Sócrates, qual patego que foi aprender inglês para saber receber com dignidade a presidência da UE, vai governar os últimos dias da sua vida política com as mãos a salpicar o sangue onde o PS nunca se quis sujar, mas de onde não saiu limpo em demasiadas ocasiões. O colaboracionista de Guantánamo pode agora abraçar Durão Barroso sem problemas de consciência quanto ao sentimento de dever cumprido, na matança que há-de ter os seus carrascos a saltar para as primeiras páginas dos jornais ao longo das próximas semanas e meses.

Para o regime passa só a haver duas soluções e por isso os seus gendarmes sabem bem porque é preciso guardar segredos. Ou o silêncio se reinventa ou a fachada democrática terá que cair, definitivamente, aos pés de uma nova ditadura ocidental. Conhecendo a história, o obscurantismo de que são acusados os actuais focos de resistência ao imperialismo, vai passar a ser conversa de meninos do coro. A melhor notícia é que este cenário será o parceiro ideal para o tango em que a crise económica  se tornou e um inesperado mas bem-vindo vendaval para fazer girar o moinho da revolta social.

Preparem-se. O espectáculo ainda só agora começou.

Num telegrama de Setembro de 2007, a embaixada norte-americana congratula-se pelo primeiro-ministro “ter permitido aos Estados Unidos utilizar a Base das Lajes nos Açores para repatriar presos de Guantánamo. (…) uma decisão difícil que nunca foi tornada pública.”

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