Enquanto Sakineh Ashtiani foi libertada no Irão, quantos condenados esperam no corredor da morte nos EUA?

Não tenho qualquer dúvida. Apesar de ateu e anti-capitalista preferia mil vezes o “obscurantismo” de Teerão do que a “liberdade” de Nova Iorque. Coisas de quem prefere maconha afegã e café turco à frenética coca e insípido chá imperialista.

A mais recente libertação de Sakineh Ashtiani foi um magistral golpe de propaganda da República Islâmica. Consegue ter a família da vítima a desmandar nos imperiais progressivos que cavalgaram a sua silhueta (prometi só o fazer depois de livre), e mostrar que, apesar da partilha do obsoleto, a suposta democracia americana e o sonho chinês têm ambos pernas curtas em matéria de misericórdia. Ao contrário de quase todos os que persistem em reconhecer ao Estado o direito de matar legalmente, ainda não perderam o último pingo de piedade que caracteriza aqueles que, apesar de maus, ainda sobrevivem à degeneração absoluta.

No final da história, enquanto a Guarda Revolucionária consegue montar um esquema em que até a Fernanda Câncio pode ser acusada de cumplicidade, a cenoura da CIA virou o prego ao dono, os EUA e a Arábia Saudita continuam, com o seu parceiro estratégico chinês e mais meia dúzia de fanáticos, a caminhar para o calabouço da idade média.

Que definhem por lá sozinhos, ou na pior das hipóteses, com os seus parceiros estratégicos, de ocasião ou de de monta. Ficam todos muito bem de braço dado, e eu estico daqui o meu para a próxima manifestação contra a pena de morte, onde prometo pagar na mesma rodada um copo ao Maradona, à sua amada e até, imagine-se, ao Luís Rainha.

Clique aqui para ver o historial em números, entre 1976 e 2008, da pena de morte nos EUA.

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