NatalnatalnatalnatalnatalnatalnatalnatalnatalnatalnataL!

Não ligava a televisão generalista desde a famigerada visita do FCP a Coimbra e está visto que não o devia ter feito. A palavra NATAL repete-se obsessivamente a cada 15 segundos em tempo de intervalo. Como verá no rap abaixo e na foto acima, a época é todo um programa. É a luva mais obscura do fascismo clérigo da economia de mercado. Mesmo nas casas e nas famílias ateias coloca qualquer criança de dois anos a sonhar com um velho de barbas carregado de mercadoria e torna impossível qualquer passeio urbano à margem do consumo. Dos pacotes de açúcar da pior tasca da vila até aos ornamentos requintados do restaurante mais fino da cidade, na farmácia, na tabacaria, na escola dos filhos, em quase todas as páginas de quase todos os jornais, no cimo da televisão da liga dos amigos do clube da terra, na sex-shop, na rádio, preso à bugiganga dos vendedores ambulantes, nas confrarias, nas lojas de costura, nos bombeiros, nos hospitais e imagino que até os tribunais e os bordeis não dispensem umas bolas cobertas de brilhantes em tons de veludo, umas luzes pisca-pisca, uma estrela cintilante e um puto meio nu e normalmente mal tratado pendurado nas portadas.

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