Inside blowjob às mãos das escribas do costume e uma ode a Julien Assange

O Público anda em grande. Depois do manifesto da Teresa de Sousa com que o Nuno nos presenteou, cujo discurso sobre a WikiLeaks é todo um paradigma jornalístico, a opinião de hoje é varrida pela prosa “songamonga” do Miguel Esteves Cardoso, por um tango da ensaísta Helena Matos, por um editorial que classifica o trabalho de Julien Assange como “uma vingança a conta-gotas (…) sem que daí se veja um contributo que beneficie o mundo” e pelos ensinamentos toráticos de Esther Mucznik que judicia Assange de Mercenário. A fechar, temos o Pedro Lomba a carpir mágoas na reeleição de Marinho Pinto na Ordem dos Advogados.

No meio do burburinho com que todos os dias nos abençoam, os fieis do dono definem bem os alvos da sua ira e quem quer que saia da linha justa do regime leva com o chicote vil da sua permanente vigilância, qual impiedoso castigo de quem tem que zelar pela pacatez do povo do reino, a qualquer custo.

Melhor do que se preocuparem com a agenda escondida de Julien Assange seria bem mais interessante se escrevessem sobre a agenda escondida dos líderes que nos governam, que tanta luz recebe com este tipo de denúncias. Para lá do prazer de ver a sarna que o seu contributo gera naqueles que afirmam viver na “democracia mais transparente” do mercado, não sobra nenhum gozo em ver como estas pistoleiras já arranjaram maneira de nada se falar sobre o material divulgado.

Este voto de fé no “não querer ouvir” e no “não querer saber”, é uma verdadeira profecia da ignorância a que a esmagadora maioria dos fazedores de opinião se rendeu há já demasiado tempo. Pelo andar da carruagem e perante a cegueira com que todos parecem querer esconder os crimes e as manobras do poder, confirma-se que já esteve bem mais longe a majestosa chegada da Novilíngua. Se não tivermos as palavras necessárias para ilustrar a verdade ela deixa finalmente de ser subversiva e esta gente toda pode voltar a dormir descansada.

Whisky, soda e rockandroll!

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