O enigma Francisco Lopes

Cada um escolhe o candidato que quer, mas alguém quer fazer o favor de explicar-me por que é que o PCP escolheu Francisco Lopes como candidato?

Para disputar realmente a eleição, a candidatura óbvia seria a de Manuel Carvalho da Silva, comunista e secretário-geral da CGTP, a organização que mais tem protagonizado a resistência aos PECs de Sócrates e Cavaco. Possivelmente, não ganharia a eleição, mas o que é para a esquerda, hoje, «ganhar» umas presidenciais: eleger um Mário Soares (no further comments needed)? Talvez um Jorge Sampaio (que, recorde-se apoiou a utilização dos F16 portugueses no bombardeamento da Sérvia pela NATO)? Ou juntar forças, como noutra campanha qualquer, para combater a miséria (e o mais que se verá) para onde estamos a ser conduzidos?

Bom, supondo que o próprio Carvalho da Silva (ou o PCP) não queria, para o objectivo mais limitado de ‘usar o tempo de antena’ e ajudar a construir o partido, não seria claramente melhor Jerónimo de Sousa, que todo o País conhece e tem uma imagem de simpatia?

Por exclusão de partes, escolher este homem apagado e desconhecido, apesar de ser membro do secretariado e, como diz um seu conterrâneo de Vinhó, Arganil [cerca de 100 habitantes], ser «uma excelente pessoa, educada, que tanto fala ao pobre como ao rico» (jornal i, 26 de Agosto de 2010) poderá significar ou que o PCP se prepara para dizer aos seus eleitores que engulam o ‘sapo’ Alegre (também o ‘sapo’ Soares não era para engolir e depois foi o que se viu), ou que a escolha é simplesmente o resultado de uma surda luta fraccional dentro do partido, tendo sido imposto o mais ‘ortodoxo’, ainda que como figura pública seja pouco mais que uma nulidade. Com cerca de 1% nas sondagens, arrisca-se a bater o recorde negativo de António Abreu há dez anos (que obteve 5,1% e apenas 223 196 votos), um resultado que terá um evidente efeito desmoralizador. Para mim, nenhuma destas razões é convincente para apoiá-lo.

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