Por que é que Alegre não serve como candidato da esquerda?

Aquela clara madrugada que
Viu lágrimas correrem do teu rosto
E alegre se fez triste como se
Chovesse de repente em pleno Agosto
Manuel Alegre

Porque, como no seu poema de antes do 25 de Abril, Alegre se fez triste? Porque apoia o Governo, o seu Orçamento e o PEC. «Não estou a combater nenhum governo, o meu combate é com Cavaco», diz Alegre. E acrescenta: «Não seria bom para o País que não houvesse Orçamento» (Jornal de Notícias, 27 de Setembro de 2010). Manuel Alegre (apesar de o esquerda.net se esforçar por escondê-lo) não é contra o PEC. Apenas disse que se devia «acrescentar a este pacote de austeridade um plano de incentivo ao crescimento e ao emprego» (Jornal de Negócios, 30/9/2010) e que «num plano de equidade e justiça, deveria exigir-se à banca uma maior contribuição para a resolução da crise e dos problemas do país» (esquerda.net, 30/9/2010). ‘Combater’ Cavaco apoiando o Governo Sócrates, ‘compreender’ a greve geral contra o PEC apoiando o PEC – eis o que Alegre tem para oferecer: uma conversa de troca-tintas que prenuncia o troca-tintas que seria se chegasse a ser presidente. Se chegasse – porque um troca-tintas não é, nunca foi, um candidato que sirva à esquerda, aos trabalhadores, para mobilizar as suas hostes numa batalha eleitoral e arrastar atrás de si o País.

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