Aos trabalhadores portugueses

Queridos camaradas

Amanhã será um momento esperado por muitos. Será o dia da vossa luta, (esclareço que sou trabalhador no Estado Espanhol e já tive direito à minha Folga Xeral), um dia em que espero que vós demonstreis vosso descontentamento com o espezinhar contínuo a que haveis sido submetidos nos ultimos anos.

Antes de mais, queria explicar-vos como vos designo. Camaradas, não colegas, nem concidadãos. Não. Camaradas. Camaradas porque reconheço no vosso desespero, o meu desepero; camaradas porque reconheço na culpabilização que vos tentam impôr, aquela que me tentam impôr a mim; camaradas porque quando procuro trabalho, as respostas que recebo são, invariavelmente, as que vos dão: que não há, que há mas sem direitos (“de precário a empresário”, disseram a uma companheira minha uma vez), que há mas o salário “é este e se queres, porque há muitos mais como tu à procura do mesmo”; camaradas, enfim porque a prenda do meu patrão quando nasceu o meu filho foi dar-me seis meses para encontrar a porta da rua.

Sim, camaradas porque a nossa luta é a mesma, porque o nosso destino, o nosso fado tem sido semelhante e porque aos que vais fazer frente, também eu já fiz e em breve engrossarei as fileiras do nosso Portugal colectivo de trabalhadores injustiçados e sempre, sempre explorados.

Amanhã, camaradas, também será um dia de sacrificio. Os jornais e as televisões certamente já devem ter vos vindo avisar dos danos que a Greve fará à economia, aparecerão doutores, uns cientificos certificados que vos dirão que “não vale a pena”, “que não vai mudar nada” e que a vossa luta só “vai atrasar o país”. Pôr-vos-ão numeros à frente, numeros incompreensiveis, de muitos digitos, milhões que nunca sonharam ter nem compreender apesar de haver uns quantos que os têm e que ambicionam ter mais. E tentarão que a culpa se apodere de vós. Mas, por acaso, não sois vós a economia? Por acaso, não sois vós o motor da sociedade? Não é a partir do vosso trabalho que os lambuzados do costume se deleitam? A quem custará mais as perdas da Greve, a vós, trabalhadores de parco salário ou aos accionistas que reivindicam dividendos antecipados para fugir às suas (minimas) obrigações?

Mas amanhã, também é dia de festa. Como poderia ser de outra forma? A festa de quem luta pela dignidade, a festa da honradez do trabalho, a festa da alegria de lutar, sabendo que apesar da vitória ser um dia distante, estais aí, não vos conseguiram calar. No dia de greve, sereis mestres e não aprendizes; sereis força e não fraqueza; sereis um exemplo de um Povo unido e solidário, ciente de que é possível outro caminho, que é possivel que o poder seja exercido por vós, que não mais haja uns pretensos representantes pisando-vos os calos e dizendo que é para vosso bem. Amanhã, camaradas, lutareis por andar de cabeça erguida, para que no futuro sejeis donos do vosso destino. A vossa luta é a mais heróica e abnegada de todas, não é uma luta pelo imediato, pelo irrisório ou pelo mesquinho. A vossa luta, camaradas, é uma luta pelo futuro.

E, camaradas, tentai apartar as vossas diferenças, encontrai e fixai quem realmente vos tem sufocado (os patrões, as grandes empresas, aquela classe politica que vos olha de cima, os grupos que controlam as rádios, televisões e jornais e que vos tentam fazer deixar de pensar) , pois tereis tempo mais tarde para resolver as vossas quezilias. E para terminar, camaradas, um grande bem haja a todos os obreiros desta Greve Geral, a todos e todas que bateram fábricas e empresas, que escreveram em blogues, jornais ou outro meio, que conversaram com o bêbado do café e tentaram convencê-lo. A todos que mediante as suas possibilidades e capacidades quiseram contribuir para o esforço de unidade da luta, sejam comunistas, bloquistas, socialistas ou de qualquer linha de pensamento politico (ou mesmo sem o ter), a todos e todas que quiseram emprestar o seu esforço a uma mobilização nacional sem precedentes, a todos e todas que acreditaram e acreditam que é possivel um futuro melhor, um grande obrigado.

No dia da Greve Geral, espero sinceramente que vós, Povo, deis uma grande lição ao País.

Viva a Greve Geral! Viva Portugal!

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Uma resposta a Aos trabalhadores portugueses

  1. O Rafael Fortes não fica muito ofendido se eu propuser uma outra banda sonora para esse seu ‘post’ ?

    Infelixmente está em ‘inglishe’, mas não se pode ter tudo…

    😉

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