A luta não tem donos e a Avenida é a da Liberdade. Saberá o “Paz sim, NATO não” o que quer dizer “silvestres”?

A direcção da plataforma “Paz sim! NATO não” perdeu o juízo. Era o que faltava que uma determinada rede de organizações tivesse a tutela das ruas, coisa que, como a Mariana demonstrou, nem o Estado se arroga ao direito. Então não é que estas almas fizeram já dois comunicados onde consideram como provocadoras as outras manifestações chamadas para o Marquês de Pombal? Já não basta decidirem o alinhamento do protesto e ainda querem definir quem pode ou não protestar e com que linha política?

Se há várias manifestações convocadas para o mesmo local, elas só têm que fazer o que sempre fazem. Desfilar. Cada uma com a sua coluna e a dizer sobre o protesto o que bem entendem.

É que se por um lado se acusa que quem organiza acções noutros sítios é divisionista, que nome se dá aos que tendo outras coisas para dizer, até rumou para a mesma barricada do protesto?

“É pois com surpresa que a Campanha «Paz sim! NATO não!» tomou conhecimento que outras entidades – nomeadamente a Plataforma Anti-guerra, Anti-NATO (PAGAN) – vieram posteriormente anunciar a realização de uma outra e diferente manifestação para o mesmo local e dia.

Neste sentido, dando seguimento ao sentir expresso na reunião plenária das suas organizações promotoras, realizada no passado dia 2 de Outubro, a Campanha «Paz sim! NATO Não!» informa e esclarece que:

– Essas outras entidades não integram a «Campanha Paz sim! NATO não!». De igual modo, nunca tomaram parte nem participaram em qualquer actividade da «Campanha Paz Sim! NATO Não!». Essas outras entidades têm naturalmente toda a legitimidade e possibilidade de realizar a sua manifestação, mas não para o mesmo local e dia da manifestação já anunciada e legalmente convocada pela «Campanha Paz sim! NATO não!”

Será isto que “Unidade na unidade” quer dizer?

“Repudia a atitude das denominadas PAGAN, do ICC e do WRI, que, numa vergonhosa e deliberada atitude de puro parasitismo político, procuram tentar associar de forma abusiva e inaceitável a Manifestação «Paz Sim NATO Não» às acções que entenderam vir realizar a Portugal, nomeadamente às chamadas «acções de desobediência civil»;

Lamenta que órgãos de comunicação social continuem a dar cobertura a afirmações do ICC, do WRI e da PAGAN que para além de significarem uma deliberada provocação à Campanha «Paz Sim! NATO Não!» faltam comprovadamente à verdade, constituindo uma deliberada campanha de desinformação;

Esclarece, uma vez mais, que discorda e se distancia das ditas «acções de desobediência civil» que mais não visam do que dar espaço mediático a iniciativas e sobretudo a organizações que, ou não têm qualquer implantação significativa na sociedade portuguesa, como é o caso da PAGAN, ou, como no caso do ICC, agem num claro desrespeito pelos movimentos da paz, sociais e populares em Portugal;

A confirmar-se este cenário é fácil perceber o que vai acontecer. O serviço de ordem do “Paz sim! NATO não” para além de dizer à polícia onde acaba a sua coluna (é feio mas está no seu direito), ainda anuncia que não reconhece legitimidade aos que se lhe seguem na Avenida, apontando o dedo na mesma direcção em que estarão apontados os cassetetes da polícia. Por essa altura, ou com um provocador infiltrado ou cavalgando alguma adolescência, será a altura de mostrar de que fibra é feita a NATO.

No barulho, parece que a única balda é a do BE (que terá aproveitado a deixa e abandonou a PAGAN) não se sabendo ainda se e como participará no protesto.

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