Maldita Arquitectura

Apresentação pública da Maldita Arquitectura,
30 de Outubro às 15.30h
Cooperativa Cultural Bacalhoeiro – Lisboa

Começou no Porto e mais tarde alastrou a Lisboa. Desde o início do ano que há grupos de arquitectos que se reúnem para conversar. Fala-se de despedimentos, de condições de trabalho, de projectos, de vidas. Pelas reuniões de Lisboa terão passado quase setenta arquitectos. Pelo Porto quarenta. A divulgação das reuniões fazia-se apenas por emailes entre amigos e através de um grupo no facebook.
Com o aproximar das eleições na Ordem dos Arquitectos, sentiu-se o pânico do establishment temendo uma candidatura que afrontasse o feudo e promovesse uma associação profissional, de facto, para todos. A direcção da OA respondeu à mobilização afixando no seu site um parecer jurídico sob a forma de posição política que defendia que a única organização profissional dos arquitectos não tinha nada a ver com as suas condições de trabalho, com os seus vencimentos, com o exponencial aumento de número de arquitectos desempregados. Mas quem passava pelas reuniões sabia que essa não seria a solução.
A maldita arquitectura vai ser apresentada no Sábado. À luta!

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8 Responses to Maldita Arquitectura

  1. xatoo diz:

    que luta?
    a “luta” que há a fazer é desandar daqui para fora à procura de emprego (a maior parte diga-se de indole liberal) Não me parece que o exgerado número de formandos em arquitectura permitido pelo negócio das escolas privadas nos últimos anos correspondam às necessidades num país onde não há mais nada a construir de raiz (temos 25 milhões de fogos para uma população de 10 milhões de habitantes)
    E também não me parece que esses “novos arquitectos” (de formação incipiente, diga-se, cheios dos vícios da arquitectura global neoliberal) tenham aplicação do mercado português da reabilitação do património habitacional degradado. Para isso são precisos é operários tecnicamente bem qualificados, não são precisos “doutores em estética de espaços” de exercicio impossivel num país pobre como é o nosso.
    Concordo e sugiro vivamente que os “novos arquitectos” se reconvertam, por um qualquer curso de pós-graduação nesses operários necessários, aquilo que afinal as escolas públicas tinham obrigação de terem formado e não o fizeram
    x

  2. Tiago Mota Saraiva diz:

    Caro xatoo, tiro ao lado.
    Em primeiro lugar porque os arquitectos são operários intelectuais e sempre estiveram integrados no sistema de produção. A novidade, em Portugal, é que a classe profissional deixou recentemente de ser predominantemente composta pela burguesia passando a ser um reflexo da realidade social do país, e ainda que lhe falte consciência de classe (não profissional) que faça com que a maioria dos arquitectos se aperceba que tem muito menos condições de trabalho do que as de um operário têxtil do Vale do Ave – porque os últimos já iniciaram há alguns anos a sua luta.
    Em segundo lugar, os novos arquitectos portugueses que mais se têm distinguido estão a trabalhar em projectos de carácter social e transformador, ainda que, obviamente, não entrem nos circuitos de promoção de arquitectura do reino.

  3. xatoo diz:

    “tiro ao lado” não sei porquê
    ambos sabemos muito bem que há um número exageradissimo de arquitectos em Portugal – estão para o mercado como o número de metros quadrados de centros comerciais está para o poder de compra dos portugueses.
    Além do mais, se são meramente “operários intelectuais” não faço a mínima ideia porque terão de fugir ao destino das outras classes de operários profissionais que voltaram a ter de emigrar para Espanha, França, Argélia, Angola, etc. para ganhar o sustento dos filhos e familias
    cumprimentos

  4. jorge martins diz:

    Os post’s de TMS em torno da OA, seja qual for o assunto, traduzem sempre duas coisas:
    – O mal estar de quem já não é, e gostava de continuar a ser (eleito para qualquer coisa da/na OA);
    РA desfa̤atez, de quem tendo sido (eleito, da direc̤̣o nacional diga-se), pouco, ou mesmo nada, ter feito sobre as mat̩rias de que agora se faz paladino;

    Podia ser diferente, podia! Mas não era a mesma coisa…

  5. Tiago Mota Saraiva diz:

    xatoo, não acho que haja arquitectos a mais. O que há é arquitectura a menos.

  6. Tiago Mota Saraiva diz:

    Os comentários destes “jorges martins” revelam sempre onde estão e onde querem permanecer.

  7. Comentário ao lado:

    Alguns dos meus amigos (e primos) são arquitectos, diff. “escolas”.
    Eu sei qual é a minha preferida, a “arquitectura reaccionária”, onde se trabalha com materiais tradicionais (com o betão armado, como dix um dos meus amigos, fazes não importa que m#$%&a).
    Eu não sou assim tão radical, axo que há uma ou duas coisas — e um ou dois gajús — na arquitectura moderna que me interessam.

    As intrigas na O.A. deixam-me frio, indiferente.

    Aqui têm um a ‘coisa’ reconstituída por um dos meus amigos,
    http://www.museudeodrinhas.com/Artigos/DVD%20Revela_files/image003.jpg

    com a colaboração do mestre Leon Krier

    http://news.beloblog.com/ProJo_Blogs/architecturehereandthere/leonkrier.JPG

  8. grande tiago, lá estaremos no sábado. com um grande documento politico colectivo (acreditas que vai na 18ª versão?), resultado de quase um ano de reflexão. há de ser uma pedrada no charco. até amanhã, camarada 😉

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