Trapalhadas

Em galego do sul, a palavra trapalhada quer dizer “Atitude ou manobra propositadamente enganosa.” Em português do norte acrescentamos a ideia de “coisa mal feita e sem valor”. Neste sentido, podemos encontrar como exemplo o 89% das minhas postas, a minha formação académica e o tema das Scut (ou ex-scut). O que não sabia eu era que esta questão (acho eu que bastante pouco lógica na forma, mas não me liguem muito que não tenho nem carro) chegara à Galiza. Há uns dias, o meu padrinho (não é realmente padrinho, mas como se o fosse) interrompia uma conversa familiar (já se ouvia de fundo enquanto eu falava coa minha mãe “Passa-me aí o aparelho que quero falar co rapaz“) para me largar um directo “Oes! Que trapalhada estão fazendo os portugueses coas estradas, oh? Que tenho que pagar e não lhes posso dar dinheiro!” Saltando a parte na que perguntava com sorna se “os portugueses” queriam que lhes pagasse com o caralho ou que, a pergunta apanhou-me fora de jogo. “Epa… são medidas que o governo fez para ganhar dinheiro… a coisa da crise, e tal…“. Meu padrinho respondeu célere “Pois mira-me aí o assunto que eu tenho que viajar ao Porto” (duvidando se com esse “mira-me aí o assunto” tinha que me informar ou ligar ao PM para solucionar a coisa, respondi-lhe que sim) (resposta que também não quer dizer nada).

Andam na Galiza preocupados com as futuras viagens a Portugal (lembremos que o principal aeroporto galego é o Sá Carneiro). Pelas bandas do meu padrinho, o PM pode estar tranquilo, que é pessoa pacífica. Mas a pergunta segue no ar:

E esta trapalhada? Terá solução?

(Fonte: www.obichero.blogspot.com)

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