Dúvida estratégico-táctica

A adesão da UGT à Greve Geral torna este momento mais ou menos interessante do ponto de vista político? Já não bastava o facto da Greve Geral estar convocada para quando o orçamento PEC já estiver aprovado, e agora ainda temos que aceitar que meia dúzia de sindicalistas amarelos sacrifiquem a elementar exigência da demissão do governo a troco da sua participação? Isto serve a quem?

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25 Responses to Dúvida estratégico-táctica

  1. E os centenas de milhares de “patrões” (não os de charuto, mas os responsáveis/trabalhadores das milhares e milhares de PME’s) também podem aderir? “Luta dos trabalhadores”…

    Já sabem: O Insurrecto pede a todos os grevistas que andem no passeio, em fila indiana, para que os querem trabalhar o possam fazer.

  2. voaralho diz:

    Desculpa lá, também fiquei com dúvidas, para que serve esta posta? Importas-te de o escrever em português mais escorreito, ou estavas com sono?

  3. filipe diz:

    Clicando “ver lista completa” no site
    http://www.ps.pt/partido/organizacao/itemid-100033

    , obtém-se:

    http://www.ps.pt/partido/organizacao-comissao-politica-nacional/itemid-100033

    Destaco o “Presidente da Tendência Sindical Socialista”. Do que me parecem ser os três órgãos mais importantes do PS entre congressos (Comissão Nacional, Comissão Política Nacional e Secretariado), esse “senhor” pertence a dois. O mesmo que ainda ontem estava ao lado do Carvalho da Silva a dizer que isto tá mal e tal… não é??? Então, mas ele também é responsável por esta situação. Ou quando o PS está no governo, a Comissão Política Nacional do PS dedica-se a reuniões em que se faz renda e se bebe chá?

    Comissão Política Nacional

    INERENTES

    Secretário Geral
    José Sócrates

    Presidente do Partido
    António de Almeida Santos

    Secretariado Nacional
    Ana Paula Vitorino
    André Figueiredo
    António Costa
    Augusto Santos Silva
    Carlos Lage
    Edite Estrela
    Fernando Serrasqueiro
    Idália Moniz
    José Lello
    Luís Amado
    Marcos Perestrello
    Miranda Calha
    Pedro Silva Pereira
    Vieira da Silva
    Vitalino Canas

    INERENTES
    Francisco Assis
    Carlos César
    Jacinto Serrão
    Maria Manuela Augusto
    Pedro Alves

    Presidente do Grupo Parlamentar na Assembleia da República
    Francisco Assis

    Presidente do Grupo Parlamentar do PS/Açores
    Hélder Silva

    Presidente do Grupo Parlamentar do PS/Madeira
    André Escórcio

    Director do “Acção Socialista”
    Jorge Seguro

    Director do “Portugal Socialista”
    José Augusto Carvalho

    Presidente da ANA/PS
    Rui Solheiro

    Presidente da Tendência Sindical Socialista
    João Proença

    Presidente do Departamento Nacional das Mulheres Socialistas
    Maria Manuela Augusto

    Representantes da Juventude Socialista
    Francisco César
    Pedro Vaz
    Célia Pessegueiro
    Pedro Alves
    Hugo Pires

  4. Olhar a história com ressentimentos, mesmo que estes estejam alicerçados em factos e acontecimentos que causam dor, e eu por mim sei, é estreitar um caminho que, de tão necessário, se mostra obasolutamente indispensável percurrer. O peso das circunstâncias na história devia ensinar-nos a ter prudência e humildade, porque a auto-suficiência “prafrentex” já deu mostras de que serve apenas para deixar amargos de boca. Quando se quer fazer algo com futuro, não se pode ir isolado tentar construi-lo. Bem sei que se desilude quem se ilude, mas também sei que nada consegue quem não é capaz de saltar as barreiras, as contradições, de agir de acordo segundo as premissas da dialectica. Se estiver enganado, é apenas mais uma vez para a minha colecção de enganos, se algo ficar desta crença ditada mais pela necessidade que pela convicção construida, então pode ser que um dia vira que poderei ter a esperança de ver a minha gente a dar a cara por crenças mais duradouras. Que sei eu!

  5. Semeador de Favas diz:

    O meu problema não é tanto com a participação dos amarelos nem sequer com a agenda de uns e de outros, mas com a forma como a «greve geral» é (vai ser) aplicada tendo em conta a presente situação. Quero dizer que um só dia de greve (da função pública) não é, não neste momento, resposta à altura do corrente ataque do Estado e do Capital aos trabalhadores.
    Antes que chegue aqui algum comentador com a ladainha do costume – acerca das condições objectivas e subjectivas – digo já que uma greve destas (que à falta de melhor, apesar de tudo apoio) vai ser mais sacrificadora para os grevistas (lá se vai o dia de salário) do que efectiva no que diz respeito a travar a ofensiva; temo que se perca em pouco mais do que uma acção simbólica, logo recuperada pelo habitual salamaleque governamental do «vejam bem a vitalidade da nossa democracia» e a guerra de números da aderência.
    Era preciso sustentar uma greve verdadeiramente ofensiva, paralisante, uma «greve total» que abarcasse trabalhadores do público, do privado, estudantes e desempregados que colocasse os trabalhadores na posição de sujeitos da política e não como objectos ou elementos meramente reactivos.
    Bem sei que não existem condições para que isto aconteça, mas eram essas mesmas condições que deviam ser criadas e não vejo, infelizmente, os sindicatos (as associações, etc) a trabalhar nesse sentido.
    Serei irrealista, mas mais irrealista ainda é esperar que a mudança venha do céu aos trambolhões, num dia qualquer de eleições ou de folclore, ou de qualquer golpe de asa institucional…enfim.

  6. Martelo diz:

    Oh renato, penso que este teu post é um pouco despropositado.

    1º porque se é verdade que a direcção da Ugt é amarela, terás que concordar que dirige uma serie de trabalhadores que não o são, certo?
    Logo, se esses mesmos trabalhadores vissem este post, o que conseguias era afastá-los em vez de os aproximar, erras assim na caracterização da UGT como um todo e na tactica para dialogar com essa base.

    2º Tu tens ilusão relativamente à direcção da CGTP? Tu achas por acsao que a Cdirecção da CGTP só não defende o derrube do governo por causa dos “sindicalistas amarelos”? Na minha opinião, a CGTP nunca iria defender a queda do governo, não lhe interessa, não é por cauda da UGT. Logo, acho que erras novamente quando dizes que a CGTP fica condicionada pela UGt aderir à greve.
    Sabendo bem o que representa a UGT, a verdade é que alegra-me que se tenha associado à Greve, pois assim mais trabalhadores vão aderir à Greve Geral.

    Cumprimentos

  7. Leo diz:

    Parece-me que estão com medo de que a Greve geral possa ter uma grande participação.

    Obviamente que é positivo que sejam as duas centrais sindicais a subscreverem o aviso de greve.

    Que tal crescerem e acalmarem tensões sectárias?

  8. O principal problema da greve geral, e o Renato salienta-o é a data: A 29 de Outubro o OE/2011 pode ser aprovado. Realizar uma greve geral um mês depois? Viva a greve geral!

  9. Vcs. axam realmente que a greve-de-um-dia, com mais ou menos gente, uma passeata (à chuva ?) vai resolver seja o que fôr ?

    Okies, é um ‘statement’.
    E depois faz-se o quê ??

    Já não consigo suportar a palavra “medidas” que enche a boca a toda a gente, agora o que eu sei é que é inevitável haver cortes.
    E o difícil de cortar nos mais ricos é que os gajús pegam no telefone e fazem um wire transfer do que têm para as Cayman ou as Seychelles e vão criar empregos (de merda ?) lá.

    Portanto a ideia é que os que não podem/querem faxer isso, e que são muitos, contribuam.
    A minha semi-ex é das Contribuições e Impostos.
    Eu já não sou f.p. há décadas inteiras.
    Estamos os dois dispostos a contribuir.

    É assim ou não vai haver nada p’ra ninguém rápidamente.

    🙁

  10. Renato Teixeira diz:

    Quais pulsões sectárias… só dúvidas, muitas dúvidas. Mas claro, Viva a Greve Geral!

    Quando falava dos amarelos falava da sua direcção, como bem caracterizou o Filipe. Não da sua base. Ah, e claro, dos compromissos que isso implica. Fico feliz de antever que a participação da UGT não vai impedir ninguém de pedir a demissão do Governo. Antes assim.

  11. LAM diz:

    Alinho com o que diz José Manuel Faria. O tempo que falta para o dia 24 de novembro é o factor de maior desmobilização. Para além de que, não me surpreenderia, daqui até lá ainda a direcção da ugt vai apanhar um pretexto qualquer para fazer um flic-flac à retaguarda.

  12. Martelo diz:

    A questão é que não é a UGT que impede alguém de pedir a demissão do Governo. Ou melhor a Ugt quer condicionar como é obvio nesse sentido, mas a própria CGTP também não quer pedir a demissão do Governo, entendeu?

  13. Renato Teixeira diz:

    É evidente que tempo é o factor determinante, LAM e Faria. O que procurava esclarecer era a conclusão do Martelo.

  14. Bruno Carvalho diz:

    Parece-me que a votação final global do Orçamento de Estado é na semana da Greve Geral…

  15. xatoo diz:

    sem dúvida que a Greve Geral deveria ter sido convocada logo após a mega-manifestação de 29 de Maio último em que participaram mais de 300 mil pessoas. Mas não houve vontade politica dos directórios sindicais nisso, porque a principal central sindical do país recebe fundos do Estado, de outra forma não poderia ter qualquer actividade ou talvez sequer sobreviver. Todos, “vermelhos” (conciliadores com o “bom capitalismo”) e amarelos, comem à mesma mesa do orçamento do Estado
    Nestes termos, o movimento operário está completamente desarmado, a organização é incipiente ou mesmo inexistente, e por aí fora, até à mais completa indiferença
    Por esta altura, e com a participação activa desses 300 mil manifestantes, ampliados pela euforia popular em mudar de vida, dever-se-ia era estar a convocar uma Greve Geral com duração ilimitada até que as medidas do PEC fossem revogadas

  16. Rui M. diz:

    Este é um país afogado. Mesmo assim aqui luta-se por uma luta que pertence a todos.

  17. miguel serras pereira diz:

    “Para que servirá a greve geral convocada para o dia 24 de Novembro? É muito provável que nessa altura o orçamento de Estado para 2011 (OE 2011) já esteja aprovado, pelo menos na generalidade. E suponho que os dirigentes sindicais são suficientemente lúcidos para não esperarem que, após a greve geral e por mais sucesso que esta tenha, o governo se coloque de joelhos e submeta, poucas semanas depois de aprovado, um orçamento rectificativo para 2011, expurgado das medidas mais nocivas do PEC III. Até parece que às centrais sindicais realmente não interessa parar o PEC III, mas apenas “fazer notar a sua insatisfação”. Torna-se assim claro que as centrais sindicais que temos estão completamente institucionalizadas: tornaram-se parte do problema, subordinadas aos interesses que dominam os partidos e o Estado, e não uma via através da qual fosse possível construir um novo caminho.

    Aliás, uma greve geral, limitada a apenas um dia, pouca utilidade tem, pois a disrupção económica provocada é reduzida, e nulo o dano político induzido. Hoje em dia, os políticos preocupam-se mais com os resultados das sondagens do que com a contabilidade dos desfiles. A não ser que estes últimos tenham real impacto. O que eu esperaria das centrais sindicais, se realmente quisessem forçar o governo a negociar, seria uma sequência interrupta de greves sectoriais. Conseguem imaginar o dano político e económico de greves sequenciais, cada de um dia? Por exemplo: nos transportes ferroviários; nas escolas; nos transportes rodoviários de passageiros; nos hospitais; nos transportes aéreos; nos bancos; nos transportes rodoviários de carga; na adminstração pública; etc. A disrupção económica seria tal que até a classe empresária pediria ao governo para ceder. Basta ver o que acontece quando as empresas de transporte rodoviário de carga ameaçam parar a actividade… e bloquear umas estradas”.
    Pedro Viana – “Não basta!” (ler o resto em http://viasfacto.blogspot.com/2010/10/nao-basta.html#more ).

    Saudações democráticas

    msp

  18. Bento Gonçalves diz:

    Há aqui um problema no raciocínio de algumas pessoas pois este está em conflito com a realidade. Não sei se alguém aqui tem responsabilidades sindicais ou já as teve. Eu sou delegado sindical num serviço público com cerca de 200 trabalhadores, numa zona favorável e desde que fui eleito a taxa de participação nas greves passou de 40% para mais de 95%. Isto requer um trabalho diário. Nunca se pode parar. Estar sempre ao lado dos meus camaradas num acompanhamento constante das suas preocupações e anseios laborais. Acontece que quando se trata de manifestações a coisa muda. Se ocorrer num dia de serviço ainda consigo levar 20 ou 30 pessoas (a maioria dos restantes usam o pré-aviso e ficam em casa). Agora num fim-de-semana a coisa desce para cerca de uma dezena. Isto num serviço com as características que já mencionei, com uma taxa de sindicalização de mais de 70%. Se a Greve Geral não for marcada com uma certa antecipação para pessoas como eu fazermos o nosso trabalho, duvido que se consiga uma participação expressiva. Infelizmente a realidade é esta e a CGTP conhece-a melhor que ninguém porque está sempre junto dos trabalhadores. Por isso reafirmo que entendo o sentido das críticas mas perdem razão porque desconhecem a realidade no terreno. Quanto À UGT estou convencido que poucos dias antes de 24/11 irá demarcar-se do protesto e fazer mais um frete ao governo, jornais e tv’s.

  19. Pingback: cinco dias » Por uma greve geral vencedora

  20. Eugénio Rodrigues diz:

    Mas, por favor, algum dos que já aqui escreveu consegue demonstrar que a votação FINAL do OE é antes da greve geral ?

    Se não conseguem, metam a viola no saco quanto a esse ponto.

  21. Joao Torgal diz:

    Renato:

    1. De acordo em relação ao comentário sobre a data da greve geral. Marcá-la para depois da aprovação do orçamento, torna o seu impacto político muito menor. Assim sendo, quase parece que esta iniciativa se insere na luta sindical cíclica e sazonal, agravada pelas circunstâncias particularmente negativas, mas sem outros objectivos de maior.

    2. Em desacordo em relação à adesão da UGT. Excluindo grupos de extrema direita e afins (por motivos óbvios), quanto mais plural for a greve, quanto mais estruturas aderirem e mobilizarem para a greve , mais forte esta poderá ser.

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  23. Bento Gonçalves (‘caganda nick…) ‘desconhecer a realidade no terreno’ e depois mesmo assim encher a bocarra de opiniões é o pior dos males…

    É por isso que muitos de nós se retiraram/recuaram, não há pachôrra para essa maltosa.

    🙁

  24. Para amarelar a CGTP chega, é verdade, mas escusas de exagerar Renato: o sindicalismo linha branca dá outro charme à coisa. Sendo dominada por gente do PS, tira as acusações habituais a uma greve geral (comunistas, etc. etc) da discussão mediática.
    E parecendo que não, isso facilita.

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