Alegre esclarece que faria como Cavaco, Soares e Nobre: “Não há estabilidade social sem estabilidade política”.

Alegre deixou-se de lérias e disse ao que vem: “Não há estabilidade social sem estabilidade política”, respondendo às dúvidas levantadas sobre se seria ou não um agente do regime, à imagem de Cavaco, Soares ou Nobre*. Qualquer um destes candidatos, e em menor escala mas também Francisco Lopes (acabará a votar no que se enfrente a Cavaco na segunda volta), subscreve a frase que importa reter e repetir:  “Não há estabilidade social sem estabilidade política”. O que faz falta é uma candidatura que dissesse precisamente o contrário, ou seja: “Não há estabilidade política sem estabilidade social”.

O actual quadro político em Portugal, a partir da masmorra em que se colocaram as forças políticas à esquerda, não oferece qualquer alternativa institucional. Os partidos e a maioria das organizações políticas que prescindem desse combate, não estão simplesmente a optar por ser uma voz a menos no ataque às estruturas do sistema. Estão, consciente ou inconscientemente, a ser uma voz a mais para reforçar os paradigmas dominantes.

Alegre não se tornou apenas no voto dos remendos, dos males menores ou da descrença. Alegre passou a ser o voto no polícia bom do simulacro democrático. A candidatura do PS e do BE não é apenas uma maneira simpática de continuar a ir pelo caminho que nos tem levado sistematicamente ao desastre social, é a via violenta para o bálsamo de sempre. Alegre é muito mais o vento que cala a desgraça do que a voz que lhe diz não.

Deve ser por isso que todos os que defendem que Alegre é um fenómeno progressivo e engajado no movimento, deixaram de abrir a boca a defender o que quer que seja que venha desta candidatura. Com o simpático esclarecimento de Alegre, mais nenhum esquerdista o vai continuar a usar como cavalgadura.

Esgotadas as dúvidas, começamos a perceber que a campanha vai entrar na sua fase bacalhoeira. Soares, who else, já deu o mote ao defender Cavaco Silva.

*Nobre tem defendido o indefensável, também no apelo a que haja entendimentos frequentes entre o PS e o PSD. Hoje porém, deu um ar da sua graça: “O actual Presidente da República tem promulgado todos os orçamentos que nos conduziram ao ponto a que chegámos, promulgou inclusive a adjudicação da obra da primeira empreitada do TGV até ao Poceirão”. Devemos daqui concluir que poderíamos contar com ele para vetar politicamente o orçamento PEC?

Este artigo foi publicado em cinco dias and tagged . Bookmark the permalink.

17 Responses to Alegre esclarece que faria como Cavaco, Soares e Nobre: “Não há estabilidade social sem estabilidade política”.

  1. Pingback: cinco dias » “Faremos tudo para evitar uma crise política”

Os comentários estão fechados.