O Centro Mário Dionísio faz um ano

No próximo dia 29 de Setembro faz um ano que a Casa da Achada – Centro Mário Dionísio está aberta ao público.

Para contar quem foi Mário Dionísio aos que não sabem falta-me o fôlego. Foi professor, pintor, escritor, entre tantas outras coisas. Pensou, escreveu e falou sobre arte, literatura, política e sociedade, e esforçou-se por fazer entender que todas estavam relacionadas umas com as outras. É normalmente etiquetado como neo-realista, embora se tenha debruçado abundantemente sobre o problema da definição de «neo-realismo», questionando-a. Militou clandestinamente no PCP durante a ditadura salazarista, abandonando o partido em Maio de 1952. A página do Centro Mário Dionísio, criada ainda antes da abertura da Casa da Achada, é rica em documentos sobre a vida e a obra desta figura: oferece-nos uma biografia ilustrada, uma bibliografia activa (extensíssima, como podem ver), a lista das exposições individuais e colectivas em que participou e alguns quadros seus, dos figurativos aos abstractos. A página publica ainda a relação do seu espólio e o catálogo da Biblioteca de Mário Dionísio e Maria Letícia Clemente da Silva, composta por mais de 6000 livros e 300 edições periódicas, que podem ser consultados mediante marcação prévia.

Recentemente, a família resolveu pôr o espólio de Mário Dionísio, os seus documentos, livros e quadros, mais acessíveis ao público e adquiriu um imóvel em Lisboa, na Rua da Achada, para esse fim. A Associação Casa da Achada – Centro Mário Dionísio foi fundada em 29 de Setembro de 2008 por 58 pessoas. Desde então a sua actividade, embora com muito poucos financiamentos, não tem parado: leitura colectiva (comentada e com projecção de imagens) d’ A Paleta e o Mundo de Mário Dionísio todas as segundas-feiras à tarde e uma sessão a partir das questões de fundo postas na 1ª parte da obra uma vez por mês (Ciclo «A Paleta e o Mundo»), cinema todas as segundas-feiras à noite (em Julho, Agosto e Setembro, ao ar livre), oficinas para crianças e adultos aos domingos à tarde e ainda inúmeras sessões pontuais incluídas nas séries Direis que não é poesia, Itinerários, Mário Dionísio, escritor, Livros das nossas vidas. Foi criada uma Biblioteca Pública, ainda em fase de catalogação mas já consultável, e, ligado a esta, o Clube de Leitura da Achada. O Centro organizou também no Largo e na Rua da Achada duas Feiras da Achada e publicou 3 edições: Entre linhas e cores, Mário Dionísio pintor e Um cesto de cerejas: conversas, memórias uma vida (conversas com Francisco Castro Rodrigues). Foi ainda na Casa da Achada que foi criado, em Junho de 2009, o Coro da Achada, que já realizou quase uma vintena de intervenções públicas. [Programação da Casa da Achada]

Posto isto, o primeiro aniversário da Casa da Achada não poderia ser assinalado apenas num dia. Entre 29 de Setembro e 5 de Outubro o programa será recheado. Podem vê-lo aqui. Em breve postarei sobre o aniversário dia-a-dia.

Este artigo foi publicado em cinco dias and tagged , . Bookmark the permalink.

1 Response to O Centro Mário Dionísio faz um ano

  1. Pingback: Tweets that mention cinco dias » O Centro Mário Dionísio faz um ano -- Topsy.com

Os comentários estão fechados.