Morreu António Dias Lourenço, um operário da história

Era do tempo em que os operários tomavam a sua emancipação nas suas próprias mãos. Nada que era humano lhes era estranho. Combatiam a ditadura e tinham uma ânsia infinita de viver e aprender. Mesmo na cadeia aprendiam álgebra, línguas, história, português. Queriam mudar o mundo. Tinham a imensa coragem de dizer não ao fascismo. Conheci Dias Lourenço, na Santos Dumond, logo depois do 25 de Abril. Apesar da agitação da altura e do enorme trabalho que era lançar os primeiros números do Avante legal, arranjou tempo para um grupo de jovens com menos de 10 anos que queriam falar com ele sobre o partido. Partilhou connosco histórias da sua vida, contou-nos a sua fuga de Peniche e conversou sobre a revolução. Respondia às nossas questões, de catraios, com o olhar vivo de sempre e o sorriso aberto. Dias Lourenço era uma pessoa que nos fazia sentir a fraternidade daqueles que lutam e a coragem de uma geração que, apesar de temperada na dura fornalha que faz o aço, transportava consigo todos os sonhos de felicidade dos homens e mulheres.

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TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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