Freeport, a trama adensa-se


Ao contrário do que refere o primeiro ministro (parece que ninguém notou, mas José Sócrates fez a sua declaração de S. Bento e na qualidade de chefe do governo) na sua declaração sobre o Caso Freeport, a verdade não veio ao de cima. O despacho dos procuradores revela aquilo que já se suspeitava, tem havido fortíssimas movimentações políticas de bastidores para influenciar a decisão final.
Os procuradores reconhecem, implicitamente, que não conseguiram apurar a verdade e deixam no ar que terão sido impedidos de inquirir José Sócrates e Rui Gonçalves Pedro Silva Pereira, responsáveis políticos pelos factos investigados. Não creio, que esse impedimento tenha sido motivado exclusivamente pelo prazo imposto. Quem não se recorda das primeiras declarações da PGR após o escândalo ter rebentado nas páginas do Sol? Quem não se recorda das inúmeras entrevistas/declarações de Cândida Almeida a ilibar José Sócrates (ver esta, por exemplo)? Quem não se recorda das “fonte do DCIAP” que, logo em Agosto de 2009, afirmava que Sócrates nada tinha a ver com o processo?
Ao contrário do que Cândida Almeida sempre afirmou, Sócrates sempre foi uma personagem chave do processo – ainda que possa estar inocente e o seu comportamento tenha sido apenas ingénuo.
A decisão apenas adensou a trama do que se passou. Dá-se como provado que circularam milhões de euros, para se pagar serviços que não estão esclarecidos, num processo aprovado de uma forma demasiado célere para não ter tido uma forte orientação política.

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