Postal d´A Corunha (I)

Há uns dias que voltei à cidade. Não por férias precisamente (visitas médicas, um casamento e acompanhar a pessoas que agora mesmo precisam de mim), mas a estadia está dando para passear algo por umas ruas que, tenho que o reconhecer, ainda me provocam sorrisos. Deve ser o viver fora.

O primeiro que me chamou a atenção, envoltos no mundial como estamos, foi a pouca presença de bandeiras espanholas nas janelas. Explico-me: A Corunha e alguma outra cidade galega tende (sobre todo nas capas medio-altas e altas da sociedade) a um anti-galeguismo visceral que tem os seus sintomas, principalmente, no desprezo à língua própria, o auto-ódio, a esquisita tentativa de modificar o sotaque… todo um compêndio de características que constantemente me levam a pensar em Michael Jackson. Eu supunha que, estando Espanha nas semifinais haveria uma exaltação vermelha e amarela nas janelas exteriores.

E não. Há bandeiras, evidentemente. Mas não falamos da alegria de cores que havia quando o Depor ganhava e ganhava jogos sem parar, quando quase não havia janela sem bandeira branca e azul. Hoje vejo touros nalgumas casas (caminho da cidade encontro uma mulher que posa numa janela da qual pende uma bandeira militar, enorme), mais para nada uma maré. Aparecerão no caso de Espanha chegar à final? Surgirão in crescendo? Embora assim fosse, seguiria a ser sintoma de algo: pouca “pasión” diária. Até um partido local (e residual) que bebe dos canos mais centralistas e que encarna o auto-odio como nenhum outro pediu publicamente aos vizinhos (supomos que às vizinhas também, que podem não saber de futebol mais no que é pendurar coisas das janelas não há quem lhes tire o doutoramento) que mostrem as suas bandeiras espanholas (devem achar que todo corunhês tem uma bandeira espanhola no armário). Pelos vistos, não sou o único que reparou na pouca afluência de bandeiras…

Claro que quando a equipa ganha a gente vai saindo à rua. E se ganhar o mundial (Uruguai não o queira) haverá uma festa louca… nascida mais da vontade de festa que da de “roja”.

Por certo: encontrei, nos passeios, uma clínica com duas montras. Na primeira, o motivo era a selecção espanhola. A segunda tinha um cartaz de umas jornadas pela abolição da tauromaquia. Ainda bem.

Este artigo foi publicado em cinco dias and tagged . Bookmark the permalink.

9 Responses to Postal d´A Corunha (I)

Os comentários estão fechados.