Sórdidos galegos, duro bando. (posta épica)

Assim falava Camões, segundo poeta galego mais português só superado em galeguidade por Zeca Afonso.

E o colega Paulo Julião, do DN (já viram? colegas! claro, ele escreve num jornal, eu colaboro num blog… colegas) alarmado pelas palavras do zarolho alerta na edição de hoje sobre uma invasão de independentistas galegos a Valença do Minho (povoação que, segundo pudemos saber, poderá ser moeda de troca por Olivença quando Espanha e Portugal comparem cadernetas). Bom, caro Paulo. Gosto muito do teu trabalho (falo como colega, eh?) mas tenho a fazer umas leves críticas (tranquilo, não são de carácter gramático): Primeiro, os independentistas galegos não querem apoiar Portugal. Eles VÃO apoiar Portugal. Há muitas coisas que um independentista não pode fazer: ter um estado próprio, por enquanto; aprovar um estatuto de nação; ter um jornal integramente em euskera (porque resulta que o fecham por “pertencer a ETA” e sete anos depois resulta que não, que era todo piada… ah? mais houve maus tratos por parte da polícia? que coisas!); ter um partido em Euskadi, porque está relacionado com ETA e não está contra a violência; ter um partido em Euskadi que esteja contra a violência, porque isso é assim tudo mentira e essas coisas nem se podem pensar… mas animar Portugal? Por-tu-gal?? Aí não há impedimento nenhum nem policia que o controle!! Vejam, vejam só como alguns apoiam Portugal impunemente. Viram? E não temos @s galeg@s mamilos que cheguem? Não ficam sensíveis ao frio ou ao carinhoso lamber d@ parceir@? Já consigo ouvir “As armas… As armas” em melodiosa, épica, gaita de foles… rijos mamilos ao vento!

Segundo: Protesto? Aquilo o que vai ser é uma festa, pa! Só expliquem bem, para que não haja confusões, que em argote futebolístico é Por-tu-gal e não Portugal. Os camaradas de Seioque, aos quais faço questão de louvar (loubáns!) publicamente, apresentaram uma série de cantigas festivas para acompanhar e cantar em harmonia com os vizinhos do sul: “Foi tudo uma artimanha, Valença não é Espanha!” “Capetom [nome com o qual os pescadores galegos conhecem Cape Town], a nova Aljubarrota!” ou o já clássico “Nom estava mal/nom estava mal/ter umha autonomia/como a de Portugal“. Não, meu amigo (e colega), aquilo será uma festa, como Paris. E como Ernest e Hadley: pobres, mas felizes. E como Ernest unicamente: sempre de copo na mão.

Protesto? Onde se viu um protesto acompanhado de coloridas estreleiras? Chegam acaso os galegos armados com vuvuzelas? Com outros arrepiantes métodos de tortura? Se pudessem, até voltavam com aqueles ossos velhos, não fosse que a Igreja na Galiza não quer saber nada de devolver coisas ao povo.

“Camaradas lá do norte/venham ao sul passear/ que nas nossa comprativas/há sempre mais um lugar”. Obrigado Zeca mas os galegos, seguindo fielmente os conselhos de Morgada de V., com três horinhas por dia ficamos satisfeitos. E aliás, agora a água vai toda canalizada. Nós somos mais como os Indios da meia praia, “homens, mulheres e crianças, cada um com a sua estreleira”, cita o colega, perdendo a referência. “Isso lá será uma orquestra/ quem diz o contrario é surdo”, afirmo eu.

Que a tradição de que arda a metade do nosso território durante o verão não seja o único que nos una!!

Hoje mesmo (que já passa da meia-noite) (não odeias, Paulo, colega, quando isto acontece?) estaremos lá, na segunda Valença em espanholidade desafinando a uma soa voz em português do norte e galego do sul. Os de Compostela, os de Valença e Tiago (que é de Viana). (do Castelo, não do Bolo).

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