O anti-semita e o filho da puta


Paisagem palestiniana (1): o olival

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Paisagem palestiniana (2): um olival arrasado por “razões de segurança”

1.

Citei há pouco um blogue racista, de delação e propaganda baixa (veja-se agora lá, por exemplo, o post “Contrastes em photos: valeurs d’ Israël et valeurs de Gaza”, onde aparecem lindíssimas escolas israelitas em contraponto a crianças de Gaza vestidas com o verde do Hamas e uma metralhadora de plástico ao pescoço, ou praias de Tel Aviv em contraponto às de Gaza!!!!), blogue de nome “Philosémitisme” que me citava sem nexo, em forma de denúncia pela denúncia e sem argumentos críticos nenhuns. Não sei como, de mim sabiam cargos e profissões. Esse blogue apresenta-se assim: “Ce site est dédié aux millions d’Européens qui, malgré d’incessantes campagnes de désinformation, ne croient pas que les Juifs ne sont capables que du pire; ne dissimulent pas leur antisémitisme dans le langage de l’antisionisme; et savent qu’Israël représente ce qu’il y a de meilleur dans une démocratie”.

Repare-se agora na primeira e última frase: esta diz ser Israel o representante do que há de melhor numa democracia – aqui, não comento (não, não vale a pena voltar ao assunto dos “direitos” dos árabes israelitas, por exemplo); a primeira diz ser o blogue dedicado aos que não consideram os judeus o pior do mundo. Esta frase é uma mentira total, pois nada se diz lá sobre Israel: aquilo é apenas um lugar de denúncia de textos críticos e de seus autores, nada mais. Absolutamente nada mais!

2.

Escrevi um post, entre outros posts, em que questionava a “naturalidade” (um pouco à maneira de Derrida, judeu, filósofo da desconstrução, processo teórico que sempre pretendeu criticar a “naturalização” do que é de ordem sobretudo cultural ou de “coisa construída” ou “em construção”), questionava eu a “naturalidade” do estado de Israel. Quer dizer, e passar disto ou deturpar isto é ser um abjecto filho da puta: questionar a existência ou questionar as iniciativas políticas e militares, neste caso de Israel, é tomar posições NUNCA RÁCICAS, mas POLÍTICAS.

Repito, para o sr. Correia do blogue “Delito de Opinião”: questionar a entidade “Estado” ou as “políticas” e “acções militares” de um estado, seja ele qual for (SEJA ELE QUAL FOR!, Israel ou Espanha) é questionar ou posicionar-me politicamente. O abjecto filho da puta é aquele que confunde “política” com “racismo”, crítica do “estado de Israel” com “anti-semitismo”. Estudar ou criticar um Estado é apenas estudar e criticar uma entidade política. Atenção, sr. Correia, há limites para a desinteligência e indecência.

E eu estou atento.

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75 Responses to O anti-semita e o filho da puta

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