my private idaho

Muitas coisas me dividem e separam da Fernanda. Algumas serão equívocos que o tempo (e as más línguas) foram sedimentando, outras são olhares diferentes sobre as coisas, estratégias diversas, etc… mas este texto que “linko” abaixo arruma qualquer arrufo pela minha parte. Não que subscreva o texto no seu tudo, mas porque relembra uma parte da história perdida algures, e acima de tudo, salienta que na festa que hoje fazemos pela aprovação da igualdade no acesso ao casamento de pessoas do mesmo sexo continua a luta. Continua essa luta necessária que todos faremos contra a homofobia, a transfobia e a heteronormatividade como elementos constituitivo da sociedade portuguesa!
Como afirma:
culpar quem lutou e continua a lutar por tudo — casamento, parentalidade, igualdade total — por termos ainda só igualdade parcial é tão completamente estúpido, contra-producente e destrutivo, tão desnecessariamente negativo e derrotista e sobretudo tão injusto e inútil. não estão satisfeitos? surpresa: ninguém está completamente satisfeito. mas quando se obtém uma vitória importante, mesmo que parcial, costuma-se festejar e não começar a desconsiderar a vitória e a acusar quem se alegra com ela de ter atrasado ou comprometido ou ‘vendido’ a luta ou lá que raio de idiotia passa por essas cabeças. só faz isso quem está muito menos preocupado com o resultado do que com quem festeja ou quem surge publicamente como associado à vitória. sucede que é quem se auto-exclui da vitória que a atribui aos outros, para fazer disso uma vitimização. cena doentia, essa. e tão, tão infeliz.

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24 Responses to my private idaho

  1. Paulo, o Sérgio Vitorino (que a Fernanda Câncio cita nesse post como uma das duas pessoas que “melhor [a] ajudou a pensar sobre a luta lgbt”) denunciou aqui mesmo neste blogue o “casamento de segunda do PS” e a discriminação adicional introduzida com a exclusão da adopção, “uma estratégia de afunilamento do conjunto da agenda LGBT à reivindicação do casamento” defendida pela ala socialista LGBT ao arrepio da maioria dos activistas.

    “O quanto vai custar ao movimento nos próximos anos a imposição de um foco exclusivo no casamento, está claro na já certa exclusão da adopção por casais do mesmo sexo”, dizia ele num post cuja leitura te recomendo. Fazer de toda a gente que discorda da ala mediática do movimento LGBT estúpidos, doentes ou derrotistas é que me parece uma cena doentia, e de uma intolerância pela opinião alheia pouco recomendável.

    http://5dias.net/2009/12/16/o-milk-derramado-ou-o-casamento-de-segunda-do-ps/

    http://5dias.net/2009/12/21/e-quem-mandatou-o-ps-para-discriminar

  2. Jorge diz:

    Parece-me, sinceramente, é que a f. considera que havemos sempre de nos dar por contentes com aquilo que temos. Pobrezinhos, mas contentes, na habitual casa portuguesa. A forma como a f. cita o sérgio vitorino é por demais mau gosto, porque f. sabe que está tão comprometida com o poder, que por sua vez influencia e condiciona a ilga, que chega a ter receio que lhe apontem isto mesmo. se f. está satisfeita com um casamento discriminatório isso é lá com ela, nao venha é armar-se em em heroina, porque não é. escreve uns artigos? ah ok. mas no terreno andam dezenas de activistas a suar a camisola para que esse casamento, com o qual f. já se sente satisfeita pelo seu ps, tenha consigo a adopção e a homoparentalidade. não há paciencia para alegadas divas

  3. Carlos Vidal diz:

    O Sérgio Vitorino é um escritor e pensador culto e inteligente, o oposto do que por aqui se lê. Isto é canalha e cobardolas: citar Câncio (??), evitando a frontalidade, para polemicar com um colega de blogue.

  4. Paulo Jorge Vieira diz:

    carlos polemizar com quem?
    não percebo!

  5. Carlos Vidal diz:

    Deve ser com a Câncio, pá.

  6. Paulo Jorge Vieira diz:

    Carlos
    tenho diferenças de opinião com a Fernanda.
    não concordo com a lei tal como foi aprovada mas desconsiderar a mesma como se fosse o pior dos mundos é tão mau como alinhar com o Cavaco and friends. esta alteração legislativa terá que nos levar para a festa e para a luta… nos dois sentidos que são na realidade o mesmo. acho que qualquer activista LGBT concordará com a importância deste momento!

  7. Carlos Vidal diz:

    O que eu disse nada tem a ver com a Câncio.
    Você continua um pouco tapado.
    Não há uma foto melhor ou maior da dita cuja?

  8. Nuno Ramos de Almeida diz:

    Paulo,
    Não conheço ninguém que tenha desconsiderado o casamento gay “como se fosse os pior dos mundos”. De quem falas? Do Sérgio? De mim?
    Seria bom que esclarecesses. Para a gente perceber que não estás a chamar doentios e idiotas aos teus camaradas de blogue.

  9. Paulo Jorge Vieira diz:

    Carlos devo ser mesmo tapado. Peço desculpa por nao ser um iluminado!

    Nuno não estou a chamar doentio a ninguém. E muito menos idiota. O texto da Fernanda – e é nisso que concordo com ela! – chama a atenção de que este é um momento especial de festa mas ao ressaltar as criticas á lei indica também a luta que se advinha! Pessoalmente acho exagerado achar que a homofobia terminou com este passo, mas acho pior achar que nada mudou…

    Outra coisa: este blog tem 30 escrivas que sobre milhares de coisas não concordam entre si (por exemplo apoio ao Alegre). Porque será que temos de estar de acordo neste assunto?

  10. António Figueira diz:

    Não percebes, Paulo?
    Então eu vou tentar explicar-te:
    diz o que tens a dizer de caras, com hombridade, com lhaneza;
    se não concordas com o post de um colega de blog, escreve-o;
    não uses para o fazer, e a posteriori, um texto de uma terceira pessoa, que para mais utiliza uma linguagem que desconsidera o teu colega de blog.
    Já percebeste agora?

  11. Paulo Jorge Vieira diz:

    Carlos
    O meu texto não é nenhuma crítica a ninguem. Nem ao Sérgio, e muito menos ao Nuno que foram duas das pessoas que escreveram sobre isso. Quando li o texto do Nuno gostei bastante dele porque colocava algumas questões que me pareceram importantes. Cito: “Não quero menorizar o feito, acho até que pode ser um passo no combate ideológico contra a discriminação, mas sinceramente penso que há questões muito mais importantes para combater a discriminação dos homossexuais e lutar contra a situação insustentável que vivem todos os portugueses.”
    Há coisas com que estou menos de acordo: toma o movimento LGBT como uno o que demonstra o quando o discurso da hegemonia está presente mesmo num espaço alternativo como este blog.

    Por fim acho que temos que nos dar menos importância…

  12. Paulo Jorge Vieira diz:

    peço desculpa… era para o António o ultimo comentário!

  13. Carlos Vidal diz:

    O pior é que a imbecilidade é imcompatível não só com a inteligência, mas também com a coragem.
    E há aqui alguém que levou com o rótulo de “completamente estúpido” via Câncio.

  14. Paulo Jorge Vieira diz:

    Carlos
    peço moderação no modo como te diriges e mim…

  15. Carlos Vidal diz:

    E outro alguém (o mesmo de sempre) que nem sequer é capaz de assumir aquilo que cita.

  16. Nuno Ramos de Almeida diz:

    Paulo,
    eu escrevi isto: “Tenho a impressão que o mainstream do movimento LGBT só pensou em casamentos nos últimos tempos.”
    Como vês, não tomei o movimento LGBT como um todo. O que não implica que considere que, em todos os movimentos plurais, há dinâmicas que canibalizam as outras. Basta ler a notícia do público de hoje e ver que a ILGA se propõe casar pessoas no Arraial, para preceber que esta deriva casamenteira que coloca uma organização a promover casamentos como política moral, não acabou. Para mim, o mais grave é a identificação de todo o movimento e o arraial com esta imitação das noivas do santo antónio.

  17. Paulo Jorge Vieira diz:

    Nuno o teu texto começa com: “Acabada a novela do casamento das pessoas do mesmo sexo, espero que o movimento LGBT consiga sair da sua deriva “império das noivas” e regressar às questões mais amplas da luta contra a discriminação” Falas depois do mainstream do movimento o que começa por criar alguma diferenciação é certo…

    Quanto ao Arraial (26 de Junho), espero que nao estejas a fazer a confusão típica com a Marcha (dia 19 de Junho às 17horas no Princípe Real. A Marcha é organizada por um colectivo de 17 organizações. O Arraial pela ILGA Portugal com o apoio da CML. Quanto às actividades que o arraial irá ter elas sao decisao da ILGA. Entram pelos caminhos da construção de uma política moral? Ate pode ser que sim. Não sei… depende do modo como a coisa estiver construida!
    Por mim até seria giro que o 5 dias se juntasse todo para ir à Marcha… com uma faixa pela mudança da legislação da homoparentalidade. Querem vir?

    PS: acho que é bom que se dissipem as teorias da perseguição. de vez afirmo que o meu post sobre este texto da Fernanda não surge como uma reacção ao teu texto, pois a fazer uma crítica ao mesmo seria pela pouca clareza quanto ao movimento!

  18. Nuno Ramos de Almeida diz:

    Paulo,
    Estou esclarecido. O meu texto começa sobre aquilo que foi a dinâmica vísivel do movimento LGBT. E afirma na citação que te coloquei no comentário anterior, a dizer que essa situação deve-se a parte do movimento. É concordante com esta opinião do Sérgio:
    “uma estratégia de afunilamento do conjunto da agenda LGBT à reivindicação do casamento” defendida pela ala socialista LGBT ao arrepio da maioria dos activistas. Espero que tenhas agora ficado esclarecido.

  19. Paulo Jorge Vieira diz:

    Nuno

    Esse afunilamento de que o Sérgio fala foi sentido como real… tudo agora passou… e como tu mesmo referes “há questões muito mais importantes para combater a discriminação dos homossexuais” que agora têm de saltar para a agenda do movimento e dos media.
    veja-se por exemplo os textos ontem publicados pelos DN sobre a questão da transsexualidade, a reportagem recente da SIC sobre familias gays e lesbicas com filhos, ou a da TVI sobre os pais de gays e lésbicas.
    o combate contra a discriminação é imenso e até os casamentos, que possivelmente se realizarão por aí nos próximos meses, se terão que transformar em momentos de luta contra a heteronormatividade reinante na sociedade portuguesa!

  20. fernando rosa diz:

    O que não percebo deste post, é a espécie de saudosismo tradicional, que não parece nada comum na sua autora. Há 11 anos atrás não tinhamos nada. Hoje temos mais um pouco. Mas o que temos é o suficiente para que o movimento se tenha multiplicado, tornado mais plural, e tenha permitido que não precisasse-mos todos defender as mesmas coisas, ao mesmo tempo.
    O casamento reforça uma descriminação na lei, descriminação essa que havia ficado já explícita na lei das uniões de facto em 2001, e mais tarde na portaria das famílias de acolhimento e agora no casamento. (a PMA a meu ver tem um cariz de omissão na lei). Essas alterações embora nos tenham dado direitos reforçaram descriminações, e foi na lei das uniões de facto que pela primeira vez ficou explicito numa lei (desde a descriminalização da homossexualidade em 1982) uma descriminação explicita com base na orientação sexual.
    O avanço dos movimentos LGBT tornaram-nos com agendas e timings distintos. E se neste momento há uns que festejam o casamento como um grande avanço civilizacional. A meu ver foi mais um passo. Isso não impede que não se possa defender o fim, ou a não introdução das descriminações que com ele foram acentuadas. (muito mal estaria isto se todos batessemos palmas ao governo)
    Para uma pessoa trangénero, pode ser mais prioritário o fim da castração (no sentido físico do termo) e do doloroso processo médico-jurídico do que própriamente o casamento. Para alguém que não pretende casar, mas que quer adoptar uma criança pode ser mais importante a adopção do que o casamento. Para jovens que são vítimas de homofobia e transfobia na escola pode ser mais prioritário a educação.
    O poder político é que nos garante a desigualdade, seja por omissão, ou por regulamentação, e enquanto isso acontece somos sempre vistos como doentes. Deste modo não compreendo que se diga que os movimentos se estão a fracturar, quando se devia elogiar a sua pluralidade de reinvindicações, e de agendas. Quando existem movimentos que se põem do lado das pessoas (de todas sem exclusão, inclusive daquelas que vêm outras formas de exclusão mais atendedoras á sua identidade do que o facto de não poderem casar, sem descurar a importância simbólica do casamento ao nível do discurso e da lei).
    O que se deve entender é que o poder político/partidário é que deve seguir a agenda dos movimentos LGBT, e não os movimentos a seguir a agenda política/partidária. Por este motivo, não vou estar a agradecer, ou a comememorar ter-me sido dado meio direito, porque se me deram meio direito é porque o direito é meu por completo. E isto principlamente quando o partido político que tinha a maioria para o consenso numa alteração que não provocasse reforços de discriminações o fez deliberadamente e conscientemente.
    Ainda bem que existem e existiram pessoas que tornaram o movimento visível, que permitiram a sua consolidadação e o seu avanço. Mas ainda bem que este avanço se fez de uma forma plural, que permitiu a chegada de outros, dar voz a muitxs mais, e poder-mos reinvindicar muitas coisas, mostrando que as prioridades podem não ser sempre as mesmas que um grupo pensou. E que há espaço para outras reivindicações quando também surge espaço para outros excluídos as reinvidicarem.

  21. fernando rosa diz:

    bem não era minha intenção escrever um post. mas só depois de publicar e que vi o tamanho do bicho. 🙂

  22. Carlos Vidal diz:

    Isto de dar troco ao P J Vieira e à Câncio é estranho. Muito estranho.

  23. Pingback: cinco dias » GAY: CASA E CALA? E força lá 1 sorriso na cara! pá!

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