Perguntar não ofende


Natália LL

1. Se fosse combatida a fuga de capitais, nomeadamente os 17 mil milhões depositados em offshores, se esse dinheiro e os mais 19 mil milhões de euros anuais que andam pela economia paralela fossem taxados, há muito que não tínhamos um défice público significativo. Qual é a razão que leva os governantes a esquecerem-se disso e apenas cravarem os trabalhadores do costume?

2. A Comissão Europeia prepara-se para retirar a soberania orçamental aos Estados membros. Em vez de colocar entidades não eleitas, pelos respectivos eleitores, a mandarem na economia de todos nós, não seria mais produtivo combater a evasão de capitais e a especulação no espaço europeu? Não seria mais lógico cumprir uma política de liquidação das offshores a nível europeu e mundial?

2. Parece que nos negócios das auto-estradas feitas por este governo e os anteriores prevê que, caso as estradas não atinjam um determinado tráfego, o Estado é obrigado compensar os concessionários de forma a conseguirem o lucro previsto. Atendendo à multiplicação de auto-estradas como pãezinhos para satisfazer as insaciáveis clientelas, de tal forma que já é possível ir de Lisboa ao Porto por três percursos de auto-estrada diferentes, grande parte dessas ligações vão estar muito longe dos números contratualizados. Perante esta situação, gostava de perceber se algum governo calculou o impacto deste previsível descalabro no nossa dívida pública das próximas décadas? Receio que não.

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TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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