Brincar com o fogo

Aqueles que fizeram reportagens no país Basco conhecem bem o atentado do Hipercor em que foram mortas 21 pessoas. Numa polémica publicada entre etarras, alguns disseram que tinham avisado previamente a polícia e que ela não tinha mandado evacuar o local, a que outro antigo etarra poli-mili e condenado à morte, por tribunais franquistas no processo de Burgos, teria respondido: ‘nada disso teria acontecido se não tivessem colocado as bombas. Se não queriam mortos, não colocassem as bombas’.
O mesmo se verifica na Grécia, se não queriam mortos não incendiassem um banco com pessoas dentro. O acto é simplesmente criminoso e apenas vai alimentar a fogueira daqueles que defendem que devem ser os que trabalham que têm que pagar a crise provocada por aqueles que governam em nome do capital.

Adenda: recomendo este texto dos Ladrões de Bicicletas:
A visibilidade da besta cultuada pelos acólitos deste credo, torna-se particularmente nítida quando a linguagem da dissimulação que a exprime se oferece como espectáculo – especialmente quando se materializa em violência. Na Grécia, três desafortunados trabalhadores de uma instituição bancária foram incinerados vivos por uma turba de gente raivosa e artesanalmente armada, à frente, ou nas margens, de uma multidão de outros desafortunados trabalhadores em justo protesto contra o roubo de que são alvo. Não basta noticiar que os trabalhadores enfrentaram a polícia. Nada justifica estas mortes e ninguém poderá reparar a hedionda injustiça deste fim de vida trágico para aqueles três trabalhadores. A quem serve esta estúpida e inútil violência? Quem são os derradeiros responsáveis?

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TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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