O fiel é oficialmente candidato e o dono falará dentro de momentos…

É oficial o que já era oficioso. Manuel Alegre é candidato a chefe da República e lembrou coisas importantes: para além de ‘“republicano e laico (…) não renega a sua família política de origem, saudando o PS “nas pessoas do presidente Almeida Santos e do secretário-geral José Sócrates”’. Na sua última declaração como pós-pré-candidato, Alegre lembrou porque é, desde há cinco anos a esta parte, o candidato do Partido Socialista e do Bloco de Esquerda. O amor é para se pagar com amor e de preferência com os olhos bem fechados. Depois dos preliminares (na Trindade e em Coimbra) que a orgia comece ao som da luxúria das suas ideias e do rebate inconfundível da sua prosa poética:

“Ao Presidente, para além de garante da estabilidade política e do regular funcionamento das instituições, compete também ser o intérprete da Nação e o mobilizador das energias do país. E é desse impulso que Portugal precisa, num período de crise e desalento, em que é urgente despertar a alma nacional. (…) Sou mais velho, é certo. Mas como lutador, desculpem lá, não há ninguém tão novo ou mais novo do que eu. Tenho uma vida longa, já sou avô, o que quero é ouvir os mais novos para sentir as suas causas escondidas, os seus sonhos adiados, as suas ambições. E também as suas queixas, as suas revoltas, os seus sentimentos. Quero aprender com os mais novos coisas e causas novas, ideias e projectos. (…) Digo isto porque a função do Presidente da República é assegurar a coesão, não só a coesão social (tão necessária), não apenas a coesão territorial (igualmente indispensável), mas também a coesão inter-geracional. (…) Há quem me pergunte por que motivo me recandidato. Faço-o pela convicção de que Portugal precisa. (…) Em momentos de crise a obrigação dos responsáveis políticos é não entrar em pânico. (…) E o papel do Presidente da República deverá ser o de promover a concertação. (…) O país tem de ser mobilizado. Mas só o será se compreender o sentido das medidas e dos sacrifícios que lhe são pedidos. E por isso, além de rigor e austeridade, é necessária uma grande exigência ética. (…) Candidatura supra partidária, mas não neutra. (…) Não serei neutro na defesa do papel insubstituível das Forças Armadas e no apoio aos militares portugueses empenhados em missões decorrentes dos compromissos internacionais do nosso país. (…) Está nas mãos das novas gerações, mas também das mais velhas, um novo idealismo democrático e um novo patriotismo. Pela renovação da política e da democracia. Viva a República. Viva Portugal.”

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