A confissão


Há pouco tempo, a recusa de prestar depoimento, por parte de Rui Pedro Soares, à comissão de inquérito parlamentar ao negócio TVI e PT foi objecto de uma grande discussão.
Os deputados da oposição consideraram que esta recusa configurava o crime de desobediência. A jurista Isabel Moreira defendeu o direito ao silêncio do arguido do processo Taguspark. Outros juristas notaram que essa recusa não estava coberta pela lei, dado que o âmbito da comissão de inquérito, ao negócio PT-TVI, não se confunde com o caso Taguspark, já com acusação produzida pelo Ministério Público, e, como tal, o direito de um arguido ao silêncio, para que as suas palavras não sejam usadas contra si, não existe.
Lendo a lei, considero que Rui Pedro Soares ao recusar-se a falar na comissão de inquérito fez uma confissão de culpa, como muito bem assinalou o Luís. Disse que se falasse sobre o negócio PT-TVI estava a comprometer-se no caso Taguspark. No fundo, porque os dois negócios são o mesmo e único processo: a tentativa de comprar a TVI e de beneficiar o PS na campanha eleitoral.

Sobre Nuno Ramos de Almeida

TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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11 respostas a A confissão

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  2. Manel Z diz:

    Estará o senhor Nuno Ramos de Almeida porventura a especular sobre a culpa do Rui Pedro Soares?

    Será o senhor Nuno Ramos de Almeida um especulador?

  3. Nuno Ramos de Almeida diz:

    Caro Manel Z,
    Tenho as seguintes vantagem sobre os especuladores: argumento, coisa que o meu caro Z não conseguiu rebater e não custo um tostão ao país. Ao contrário dos presumíveis santinhos da sua preferência.

  4. Rui Pedro Soares era/é o “testa de ferro” dos interesses Socráticos.

  5. LAM diz:

    Não existe “só” um caso PT/TVI. Existe um caso PT/TVI/Taguspark. A recusa de Rui Pedro Soares sublinha isso. E, se alguém estabeleceu essa relação de forma evidente e pela primeira vez, foi o próprio Rui Pedro Soares ao recusar-se a depor com base num argumento relativo ao que se supunha ser um outro processo.

  6. psd da boa-fé diz:

    O sr. detective de Almeida chafurda com prazer e sapiência na lama com que os porcos-gordos do sistema camuflam os seus negócios nocturnos-obscuros. Mas a conclusao é sempre, e mui tautologicamente, a mesma. Cada novo caso vem apenas confirmar o que já todos sabem. E por isso já ninguém se espanta com esse caso, nem com qualquer outro: “havia escândalos, mas já nao há”.

    Apesar dos sucessivos ‘escândalos’ (que se repetem num movimento infatigavelmente circular), a apatia, a atrofia e a indiferença reinam sobre o marasmo do quotidiano. “Quer dizer: este mundo que se agita num frenesim de novidades é afinal repetitivo e tristemente parecido consigo próprio, de ano para ano. Sob a espuma alterosa da grande política e das pequenas tramóias corre o rio vagaroso do tédio e do marasmo da vida quotidiana” (António Ferreira).

  7. LAM, é mesmo isso que eu digo no post.

  8. Nuno Ramos de Almeida diz:

    PSD,
    Trate-me por detective Correia, investigações com dignidade, sff. É a mesma coisa de ter boa fé e ser do PSD.

  9. psd da boa-fé diz:

    sr. Correia,
    Vale mais uma página do Borda d’Água do que mil escândalos do Rui Soares e do Mário Soares e do Joao Soares e do Jô Soares. A vantagem do Borda d’Água, como leitura de mesa de cabeceira, sobre o marasmo da imprensa diária que, com o contributo de todos os nossos bons detectives, vai renovando os escândalos do futebol e do poder, é que nos ajuda a sobreviver sem o lixo da agro-indústria e precisamente a evitar conhecer todos os seus escândalos.
    Tédio por tédio que sirva para dar umas alfaces, umas couves e umas favas. Mas as favas sao sempre perigosas para os detectives. Arriscam-se a ser descobertos pelo som ou pelo cheiro…

    p.s.: Experimente prescindir, por umas horas, do sistema e do poder que lhe dá de comer. Verá que de repente todos os escândalos serao supérfluos.

  10. Nuno Ramos de Almeida diz:

    PSD, Não consigo perceber se tem mais queda para a escatologia ou para minimizar as prendinhas dos apaniguados. São duas tendências aparentemente contraditórias: por um lado, tende a falar dela insistentemente; por outro lado, não quer que se saiba. Parece que adora o cheiro, mas não gosta da vista.
    Quando conseguir resolver a sua insana contradição, volte, leia o post e discuta o que lá está. É difícil. Mas se fosse fácil não teria piada.

  11. antonio diz:

    Bom, uma das consequências benignas da “crise” é que de repente toda a ‘minha gente’ largou aquela espécie de português burocrático e normalizado e passou a falar língua de gente.

    O meu receio é que a “coisa” comece a descambar para uma espécie de concurso ‘quem vai ganhar o prémio Luís de Gôngora’.

    😉

    (o outro ‘windfall’ é que ’tá o pessoal todo a ‘meter a boca no trombone’, comadres e verdades por tudo quanto é lado…)

    Não tenho uma opinião definida sobre o assunto de que o Nuno fala.

    Por um lado acho que ninguém devia ser obrigado a incriminar-se. Por outro sei perfeitamente que isso dificulta muitíssimo atribuir as culpas a quem as tem.

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