Cicuta com chá é que faz bem

Dr. Medina Carreira continua a defender o habitual: cortar nos salários e pensões. Para ele, não há outra forma de fazer austeridade. Dizem que menos salários e menos pessoas no sector público significam menos despesismo. Escondem-nos que na prática significam menos médicos, menos professores, menos continuos, menos enfermeiros, menos polícias, menos bombeiros, menos gente a limpar as ruas, muito menos gente a trabalhar. Como é possível recuperar um país acabando, por exemplo, com a educação e a saúde e diminuindo o número das pessoas que trabalham? São as habituais lenga-lengas dos neoliberais. É à conta dos remédios deles que estamos na crise em que estamos. Há anos que a Europa e o mundo tomam estas pastilhas. O resultado está à vista.

Sobre Nuno Ramos de Almeida

TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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24 respostas a Cicuta com chá é que faz bem

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  2. c diz:

    também não é bem assim. se reduzirem para metade toda a função pública que não presta serviços directos à população ainda ficavam demais. malta de ministérios , cenas que não servem para nadinha , como o iefp , institutos , autarquias ( o que é que a malta ligada ao sector da construção ( licenças , fiscais e etc ) faz agora? apanha moscas ? ) e tal.

  3. Daniel C diz:

    Ao contrário do que muitos pensam, eventualmente também o NRA, o Medina Carreira não “defende” o corte de salários e pensões. O que ele tem dito e escrito é que perante o nosso continuado decréscimo da economia essas reduções são uma inevitabilidade. É verdade que o problema português não é de natureza fiscal e que a solução estará sempre no crescimento da economia. Mas mesmo a visão mais optimista tem de considerar que esse crescimento demorará anos a aparecer, e isto se forem tomadas as medidas certas de investimento público que potenciem aumento de produtividade e capacidade de atracção e exportação. Por isso, durante os anos mais próximos, o acerto das contas públicas estará condenado ao aperto da despesa, entre os quais se contarão os salários (da função pública) e as pensões (mais altas).
    Certo é que os problemas do estado são complexos e não se resolverão com medidas simples, de corta aqui ou corta ali. Em muitas áreas será necessário investir mais – o sistema de Justiça, por exemplo, será das reformas mais penosas e dispendiosas. Outras áreas justificam repensar o próprio modelo, caso da Educação onde gastamos mais per capita e temos resultados miseráveis quando comparados com índices internacionais.
    Quanto às pastilhas, não me parece que andemos a tomar cápsulas do dr. Medina, por isso a culpa do nosso Estado de coisas não é dele com certeza.

  4. Nuno Ramos de Almeida diz:

    C,
    Ess ideia que as autarquias não servem para nada e quem lá trabalha é inútil é falsa. Basta ver as funções de uma autarquia e ler as estatísticas que provam que o investimento público local tem normalmente menos desperdício que o central.

  5. c diz:

    eu não quis dizer que todos os funcionários das autarquias não servem para nada…. o que penso é que as autarquias financiavam-se sobretudo pela construção ( já li várias vezes que muitas estão aflitas porque essa fonte de rendimento secou ) e que até havia para lá umas cenas esquisitas de dinheiros por debaixo da mesa para permitir mudanças em planos de ordenamento de território e tal…ora , suponho que há muita gente empregada nas autarquias à volta do seu principal “negócio”. e se o negócio decaiu e as probabilidades de que renasça são bem poucas – já há mais casas que famílias , o dobro – há que despedir funcionários , certo?

  6. Antónimo diz:

    Mas que culpa é que os funcionários têm que a fonte de receitas arranjada pelos políticos tenha secado? Se soubessem que lhes iam puxar o tapete se calhar tinham ido fazer outra coisa e. vez de se meterem na câmara…

  7. c diz:

    desculpem , só mais uma coisa. para sustentar todo esse pessoal , qual vai ser a solução ? não há construção nova ? há que carregar na velha , ou seja , suponho que o IMI vai ficar com preços upa upa , né ? e outras coisinhas , como saneamento e tal.
    e isso é justo ? na constituição não diz que temos direito à habitação ? e estamos a pagar por esse direito ? dispenso comprar casa , então , se é para pagar aluguer vitalicio ao estado . sempre é melhor um senhorio privado . pode ser que ele me compre qualquer coisa a mim e me faça ganhar algum…em vez de dar a ganhar ao constâncio e ao raio que os parta a esses parasitas todos.

  8. c diz:

    os funcionários das autarquias têm , Antónimo , exactamente a mesma culpa que os funcionários da Autoeuropa e outras empresas assim , que viram descer o seu volume de vendas . vai me dizer porque não podem sofrer as mesmas consequências ? são mais bonitos?

  9. antonio diz:

    Nuno, como dixem os américas, you’re on a roll, you posting like crazy.

    Brincando…

    🙂

    Mas agora a sério: na minha des(validada) opinião, o fulano a quem te referes é uma das pessoinhas mais arrogantes que alguma vex vi na vida, foi um min. das fin. igual ao litro, mas não me parece de todo em todo a pessoa mais estúpida que exista à face da terra.

    Just my frggin’ two cents/Só a minha desgraçada opiniungue…

    😉

  10. Antónimo diz:

    c, quanto mais não seja porque já todos assumimos que os empresários são malfeitores (até a direita já admite que as agências de rating são más embora ressalve que temos de viver com elas), não me exijam que admita que o Estado se transforme também em pessoa de mal.

  11. Carlos Fonseca diz:

    O Dr. Medina Carreira, ex-Ministro das Finanças do PS de Soares e entusiasta apoiante do Prof. Cavaco Silva, é dos vários ilustres co-responsáveis pela situação a que o País chegou. Esquece-se do que fez. É natural, a idade não perdoa. Mas eu lembro-lhe: sem saberem reconverter, destruiram grande parte da capacidade produtiva do país (agricultura e indústria) nos últimos 34 anos.
    Perguntem-lhe se ele ainda se lembra de ter sido director da CUF e por que razões e por quantos notáveis foi este grupo industrial totalmente desmantelado.
    Como dizia Clinton, dá vontade de gritar “É a economia, idiota!”.

  12. Q. Est diz:

    Carlos Fosneca: o Medina Carreira nunca foi deirector da Cuf, estará a confundir com Catroga. Medina Carreira foi ministro no 6º governo provisorio e no 1º constitucional, em 1976.
    Não tem mais culpas que V. ou eu.

  13. c diz:

    bom , Antónimo , digo-lhe então que os funcionários das autarquias têm exactamente a mesma culpa que os empregados de mesa dos restaurantes que deixaram de ter clientela por causa da crise. o que sugere ? que os donos desses restaurantes , em vez de despedir os empregados , peçam um empréstimo , sem possibilidades de o honrar , para pagar salários a funcionários para os quais já não há serviço , tipo madre teresa de calcutá vigarista ? porque alguém vai ser vigarizado.

  14. idi na hui diz:

    Hoje,essa gente,os responsáveis e sabichões pelo estado ao que chegámos ,vão votqar faladura.Quando é q o medina carreira(!) dispensa as suas reformas(-1) para os mais necessitados?Só queria dizer,que essa gente tem culpas no cartório económico,logo na corrupção,da falta de produção:A REAL PUTA QUE OS PARIU!DEVIAM ESTAR PRESOS-TERRORISTAS SOCIAIS!!!!!!!!!!!!!!!!

  15. Justiniano diz:

    Caríssimo Nuno Ramos de Almeida,
    Neste seu post, à laia de desabafo, vocifera Vcmcê contra a escassez como se fosse uma propriedade importada de galáxias distantes por velhos velhacos.
    Esses fenómenos cósmicos são extradordinários. Até conseguem trocar as pastilhas aos tais neoliberais…
    Apenas consigo retirar duas possíveis consequencias das suas palavras:
    – O direito ao empréstimo como revelação de direito natural ou
    – O abandono do Euro por parte de Portugal e a reposição da emissão de moeda pelo Banco de Portugal.
    Fora disso estamos no ambito da pura lenga-lenga!!

  16. Nuno Ramos de Almeida diz:

    Justiniano,
    Vou tentar ter uma conversa séria consigo, o que normalmente é impossível. Há várias formas de equilibrar a despesa pública e reduzir a dívida pública. A mais estupida e que dá maus resultados é cortar cegamente todas as despesas. A mais inteligente é cortar despesas não produtivas e investir na produção. O equilibrio consegue-se diminuindo as despesas, mas também aumentando as receitas. E as receitas não podem ser só impostos, mas podem e devem ser crescimento.
    Mais, um cenário de destruição da produção, liquidação dos postos de trabalho e serviços públicos, pode a curto prazo equilibrar a balança, mas tem comoconsequência a criação de uma fortíssima recessão de que dificilmente conseguiremos sair. O que você diz é uma pura lenga-lenga religiosa, a suas receitas, como bem descreve Stieglitz, levaram à falência da Argentina e à crise asiática, nos anos 90. Mas, esta malta nunca aprende.

  17. Estou de acordo consigo. Estas pessoas andam-nos a vender ideologia travestida de ciência.
    A crise abalou muito coisa, mas não o paradigma (neo)liberal. Tentamos combater as maleitas com ferramentas velhas, responsáveis pelas misérias do nosso tempo.

  18. Justiniano diz:

    Nuno Ramos de Almeida
    Lateralidades à parte e agradecido o elogio .
    Vamos lá ver duas coisas.
    Se quer, verdadeiramente, saber alguma coisa sobre alguma coisa, uma pequena recomendação minha, não leia Stiglitz sem antes saber de que coisa está a querer, verdadeiramente, saber. De outro modo Vcmcê corre o risco de nunca vir saber o que quer que seja sobre o que for. (As crises cambiais Argentina, Tailandesa, Coreana… foram o corolário e simultaneamente a cura ou correcção para o problema – Em nenhum desses Estados ocorreu o que refere. Mais, as referidas crises foram, sem dúvida, a salvação para os aparelhos produtivos desses Países – Se não perceber isto não vai conseguir perceber nada)De qualquer modo não sei onde leu o que diz, uma vez que nunca li de Stiglitz nada semelhante (Coisa diferente será ser contra privatizações ou venda de activos ao exterior, que o Nuno não referiu) – As receitas que refere, como tendo sido causa de qualquer coisa, não sei, para além do Reino Unido, EUA (há já muito tempo, coisa por estes esquecida nas últimas décadas) e, mais recentemente, na Suécia, Dinamarca e Finlandia, onde foram aplicadas. Repetir a lenga-lenga dos neoliberais não transforma a realidade, caro Nuno.
    Por fim, não lhe li nada, neste seu comentário, que se refira ao meu primeiro comentário e parece-me que a problemática lhe passou ao lado.
    A questão não é, sequer, de equilibrar a despesa publica com a receita mas sim de a manter defecitariamente sustentável, meu caro. Muito menos a questão é de diminuir a dívida publica, mas tão somente de impedir o seu avolumar. Evidencias à parte.
    Depois vocifera contra fantasmas. Vcmcê, no Post, vocifera contra o pobre Medina Carreira e vem depois em comentário secundar tanto este como todos os outros que têm advogado a aplicação de recursos na produção de bens transacionáveis com o exterior.
    A questão do crescimento, que refere à laia de cobrador de impostos em prelecção de finanças, é uma questão bicuda, meu caro. Para crescer no mesmo modelo dos últimos 15 anos é preferível não crescer e Vcmcê abstrai do modelo de crescimento.
    Um bem haja cordial para si.

  19. ferreira diz:

    Despedimento colectivo de 112 trabalhadores no Casino Estoril
    Nestas condições não constituirá um escândalo e uma imoralidade proceder-se à destruição da expectativa de vida de tanta gente ? Para mais quando a média de idades das mulheres e homens despedidos se situa nos 49,7 anos ?
    Infelizmente, a notícia de mais um despedimento colectivo tem-se vindo a tornar no nosso país numa situação de banalidade, à qual os órgãos de comunicação social atribuem cada vez menos relevância, deixando por isso escondidos os verdadeiros dramas humanos que sempre estão associados à perda do ganha-pão de um homem, de uma mulher ou de uma família.
    Mas, para além do quase silêncio da comunicação social, o que mais choca os cidadãos atingidos por este flagelo é a impassibilidade do Estado a quem compete, através dos organismos criados para o efeito, vigiar e fazer cumprir os imperativos Constitucionais e legais de protecção ao emprego.
    E o que mais choca ainda é a própria participação do Estado, quer por omissão do cumprimento de deveres quer, sobretudo, por cumplicidade activa no cometimento de actos que objectivamente favorecem o despedimento de trabalhadores.
    Referimo-nos, Senhores Deputados da República, à impassibilidade de organismos como a ACT-Autoridade para as Condições do Trabalho e DGERT (serviço específico do Ministério do Trabalho) que, solicitados a fiscalizar as condições substantivas do despedimento, nada nos respondem.
    Mas referimo-nos também à Direcção-Geral da Inspecção-Geral de Jogos, entidade a quem cumpre fazer cumprir as normas legais da prática dos jogos, que não hesita em violar os imperativos da Lei nº 10/95, de 19 de Janeiro, para possibilitar à empresa o despedimento dos porteiros da sala de jogos tradicionais.
    A corrupção não existe, agora chama-se: Ciência Politica Utilitária

  20. Nuno Ramos de Almeida diz:

    Caríssimo Justiniano,
    Obrigado por responder. Temos conversa. Coloca uma série de questões interessantes. Vou pedir-lhe alguma paciência, em virtude de estar a acabar um trabalho, só amanhã à noite posso responder-lhe à altura das suas questões. Apesar disso, creio que num comentário à Carla, no post do Combate dos Blogues, já toquei na questão do modelo.

  21. Justiniano diz:

    Caríssimo Nuno Ramos de Almeida, tem todo o tempo!!!
    Bom trabalho!

  22. Manuel Monteiro diz:

    É, pá, este c… do Medina Carreira parece-me, em tudo, um Salazar…
    Manuel Monteiro

  23. antonio diz:

    Bruto exagero, mas enfim, está no seu direito… de exagerar e etc.

    (isto sou eu a conter-me para não lhe chamar… deixe-me ver… Hummm talvez… exactamente)

    🙂

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