Combate dos blogues

Em estúdio estiveram Filipa Martins, Miguel Morgado, Nuno Ramos de Almeida e a convidada Ana Costa. Em cima da mesa a crise económica em Portugal e na Europa, assim como as eleições no Reino Unido

Sobre Nuno Ramos de Almeida

TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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12 respostas a Combate dos blogues

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  2. antonio diz:

    Nuno, como diriam na sikki do ‘uncle’ Chikkú um módico de auto-promoção nunca fex mal a ninguém…
    (just pulling your leg…).

    Nem sabia deste programa, tenho que começar a ver mais Têvê tuga

    Não vou comentar muito sobre a substância (haverá quem o faça, suponho…), a não ser para dixer que os alemões já não parecem estar assim tão seguros de ter feito assim um negócio tão bom, nos belggas aquilo é uma trapalhada estrutural de dois em pincel (eles só se conseguem pôr de acordo quando toca a bière ou frites e realmente cheira que aquilo em UK vai para os tories.

    Agora sobrou-me uma questão angustiante: quando ‘looks & brains’ dix que tu tens um discurso futurista, e tu a seguir falas de perder kilos e cortar uma perna, isto será psicanalizável, sei lá, por aquela com quem os gajús do respectivo diziam que já não tinham fantasias… ?

    🙂

    Mas Nuno, há uma parte em que és invencível: aparentemente tu, como eu e antes de nós o falecidíssimo sr. Ford gostamos de todas as côres, desde que seja preto…

    😉

    Desculpem a leveza, mas ele há dias em que o peso chateia…

    (Ah, e são vinte e seis minutos e um segundo bem contados…)

    😀

  3. Nuno Ramos de Almeida diz:

    António,
    Concordei contigo e com o sr. Ford. A parte do futurismo escapou-me. Estás a insinuar que eu devia ir ao serrote do Tallon? Sobre os belgas, aquilo são mais do que dois, têm umas derivações, uns alemães e estão a assobiar para o ar, a ver se ninguém dá por eles. Em relação aos alemães propriamente ditos, estou convencido que os resultados não foram tão brilhantes, devido aos custos financeiros da anexação.

    Abraço

  4. Raquel diz:

    Consenso miraculoso, da esq à direita. O prob é o “modelo”. Palavra curiosa para descrever uma cultura política. Foi pena ninguém ter descrito o novo modelo.

  5. antonio diz:

    Isso de descrever o novo modelo Raquel… isso vai ser dose.

    Há uns que (pelo menos acham que…) têm umas ideias por outras, o grosso they just talk, naquela lógica perversa do deixa-me cá ocupar espaço a ver se dá.

    🙁

    Depois a lógica do modelo normalmente implica que se tem que levar com os modeladores em cima.

    Isso por vexes não é agradável para toda a gente, ou para uma parte dela

    😉

  6. Raquel,
    Acho relativamente simples, pelo menos da minha parte. Tirando de lado, as questões fundamentais de contestação ao capitalismo, posso-lhe dar uma série de orientações de médio prazo que acho que seriam correctas.
    Penso que só é possível uma alternativa ao PEC e aos Pactos de Estabilidade e Crescimento do malfadado BCE, com uma outra política europeia que aposte no investimentos produtivos e não na especulação financeira. Nesse sentido, é necessário uma política fiscal comum e combater a especulação e proibir as offshores e modificar a forma de eleição, responsabilização e as funções do BCE, colocando no centro das suas preocupações, tal como o FED, o desenvolvimento.
    Em relação a Portugal, penso que o esforço de austeridade deve implicar toda a gente e não apenas os trabalhadores. Defendo que devemos caminhar para uma economia que valorize profissionalmente e recompense quem trabalhe, incentive a concorrência, e mantenha nos sectores como a água, energia, saúde, educação, transportes, banca, entre outros, um caderno de encargo público de qualidade. Não vamos a lado nenhum com um modelo de baixos salários e monopólios privados. Dada a nossa pertença a UE não faz sentido apostar numa política autárcica de substituição de importações em todos os sectores, mas deve-se apostar numa complementaridade com as outras economias europeias. No quadro da UE devem ser canalizados fundos para todos os países para modernização das suas economias de modo a servirem melhor as populações que vivem na Europa.

  7. Raquel diz:

    Caro Nuno.

    1- A UE jamais investiu na especulação financeira.
    2- Investimentos produtivos? Quais, exactamente?
    3-O BCE sempre tentou promover o desenvolvimento, muito mais do que o FED.
    4- Combater a especulação? Antes de continuar, diga-me uma coisa: o que é que entende por especulação?
    5- Sim, não vamos a lado nenhum com um modelo de salários baixos, baixa productividade e sofisticação tecnológica. Acerca do último ponto: todos os investimentos no domínio das novas tecnologias são altamente especulativos. O sr acha que o estado dispõe de fundos para fazer investimentos produtivos??? Em que sectores, concretamente.

    Quanto ao resto, concordo. Os sacrifícios tem que ser justamente e democraticamente distribuídos.

  8. Nuno Ramos de Almeida diz:

    Cara Raquel,
    Estou no meio de um trabalho. prometo responder-lhe amanhã. Para início de conversa, digo-lhe apenas que a missão do BCE tem como prioridade absoluta o controle da inflação e que o FED tem a dupla missão de controlar a inflação e, sobretudo, zelar pelo desenvolvimento. Dai que só muito tarde o BCE começou a diminuir as taxas de juro de referência, com medo de pressões inflacionistas inexistentes no meio de uma depressão. Quando uma política monetária activa no minorar da recessão, exigiriam que essas medidas tivessem sido tomadas muito antes.
    “O Banco Central Europeu (BCE) e a Reserva Federal norte-americana têm mandatos diferentes para a condução da sua política monetária, que se estão a reflectir numa condução distinta dessa política. O Fed tem como missão assegurar a estabilidade dos preços e, simultaneamente, garantir a manutenção de um elevado nível de emprego na economia, de acordo com as regras que foram definidas nos anos 30, após a Grande Depressão. Estes dois objectivos não se encontram hierarquizados, ao contrário do que acontece com o BCE.

    O Banco Central Europeu tem como missão primeira garantir a estabilidade dos preços. Só depois se pode preocupar com o crescimento. O tratado prevê que, «sem prejudicar o objectivo da estabilidade dos preços», o BCE possa também «ajudar as políticas económicas» de forma a contribuir para o «elevado nível de emprego» e para o «crescimento sustentável e não inflacionista».

    O tratado deixa bem claro que a estabilidade dos preços é a contribuição mais importante que a política monetária pode dar para um ambiente económico favorável e um elevado nível de emprego. Para garantir a estabilidade dos preços e dado o actual nível de crescimento potencial, estabeleceu-se que 2% seria o objectivo desejável para a taxa de inflação da zona euro.”
    Fonte diário digital e Lusa, citadas em http://www.lawrei.eu/MRA_Alliance/?page_id=1442

  9. Raquel diz:

    Nuno,

    Nos media Gregos fala-se precisamente da importante questão da justiça (na distribuição dos sacrificios). Um oficial da Marinha Grega, entrevistado na rua, enquanto protestava contra as medidas de austeridade, disse que os ricalhaços, os corruptos (referia-se à classe política e aos seus compadres) deveriam pagar mais pela crise. Curioso: os Gregos não falam muito de um “ataque especulativo”…falam das manipulações sistemáticas da sua classe política, do conluio entre publico-privado…só depois de enumerarem os defeitos dos seus é que denunciam os dos “outros”. Porque será? Sinceramente, camarada Nuno, eu até penso que se os Gregos tivessem aplicado devidamente e inteligentemente os milhares de milhões que receberam…poderiam ter um país em tip top condition. ok? os bancos especularam, e muito, especialmente no que diz respeito à capacidade da Grécia em implementar os tais “investimentos produtivos”. calcularam mal o risco. A concessão de crédito deveria ter sido devidamente regulada. E deveria ter sido condicional. Aliás, não se deveria ter emprestado coisa alguma. Desde o princípio.

    Quanto aos benefícios da Alemanha imperial. A Alemanha, antes do Euro, já era uma grande potência exportadora. (para toda a Europa e para o seu maior mercado externo, EUA). Bastaria um cálculo muito simples para perceber que a Alemanha não precisava do Euro para promover as suas exportações (aliás, as exportações Alemãs encareceram depois do Euro). Além disso, as transferências orçamentais Alemãs para a UE-EU são incomparáveis aos ganhos na exportação…é preciso descaramento, sinceramente. neste como noutros casos, os números não mentem.

    Para a Filipa Martins e Ana Castro: acredito, sinceramente, que os bancos doravante serão, sem dúvida, muito menos especulativos. Não vão emprestar mais dinheiro a estados com problemas sistémicos graves. Vão fugir dos estados-risco e investir primordialmente em sectores de inovação radical (tecnologia) A especulação é condição sine qua non do progresso nas tecnos. Oferecer capital quase de graça a NINJAS (no income, no job, no assets), miseráveis que não tem onde cair mortos?? (estes foram os teus “toxic” assets, caro Nuno) Nem pensar. (e nem sequer foram estes toxicodependentes que causaram a crise. o que causou a crise foi a subida dramática do preço do petroleo….podemos agradecer ao Sr Bush e à sua guerra do Iraque por este pequeno sobressalto na economia internacional…)

    Emprestar 145 biliões a um país é um acto especulativo. Pontinho final. A consequência imediata de um ataque sem limites ao conceito-prática de especulação (actividade muito mais ampla e complexa do que a Banca) seria esta: estados insolventes por toda a Europa.

    Com os melhores cumprimentos,

    Uma economia sem especulação nunca poderá ser uma economia tecnologicamente avançada.

  10. Nuno Ramos de Almeida diz:

    Caríssima Raquel,
    Mais uma vez, vou ter que lhe responder amanhã. Embora ache que tende a confundir investimentos de risco em novas tecnologias, com activos tóxicos. Estes ultimos são muitas vezes meras fraudes em que se criam aplicações financeiras fraudolentas que vivem da compra e venda em casacata e da valorização exponencial de coisas inexistentes. A melhor explicação económica que conheço para a falta de racionalidade desses activos está aqui, e não é por acaso que é dada por um cómico:

    Uma correcção sem importância no meio das vários questões válidas e inteligentes que me coloca: nota-se que é de economia, e habituada ao inglês, em Portugal segue-se a norma francesa em algumas coisas. Presumo que o empréstimo de que fala é de 145 mil milhões, aqui só se escreve biliões quando se chega aos milhões de milhões. Ao contrário dos EUA que, como você escreveu, 145 biliões são 145 mil milhões.

  11. Raquel diz:

    Meu caro,

    Excelente escolha. (video) Não confunda humor com análise. 🙂

    Os “activos toxicos” foram estes que mencionei, meu caro. A especulação é a única forma de transformar ninjas em “assets” (especular quanto à vontade do ninja em melhorar a sua situação)

    pronto, pronto, reformulo a coisa: não se empresta 145 000 milhões de euros sem especular qualquer coisinha. acho que me fiz compreender.

  12. Justiniano diz:

    Caríssimo Nuno,
    “Dada a nossa pertença a UE não faz sentido apostar numa política autárcica de substituição de importações em todos os sectores, mas deve-se apostar numa complementaridade com as outras economias europeias.” Há nesta sua frase todo um modelo de mais do mesmo, não leve a mal, tento explicar.
    Mas é exactamente a pretensa racionalidade da complementariedade que tem criado desequilíbrios externos que carecem de correcção. Esta cabará por se impor, mais cedo ou mais tarde, ou pela pura penúria ou pela redução nominal de rendimentos em relação àqueles que suportam os nossos desequilíbrios utilizando a mesma moeda (é o que tem acontecido). Repare que, o Nuno, advoga, e bem, em abstracto, a teoria liberal, mas afasta liminarmente, os mecanismos naturais de correcção, o neomercantilismo forçado.
    Depois, parte de um erro de avaliação política que, provavelmente, lhe advirá do voluntarismo internacionalista ao pressupor a UE como Unidade Estadual ou supra Estadual com os respectivos elementos integradores. Nós estamos a suportar os custos de oportunidade. O Governo actual insiste em agravar estes custos de oportunidade com mais do mesmo, meu caro, mais oportunidades perdidas. E desta feita com a benção de Jerónimo de Sousa de quem ouvi a aceitação da coisa com aquelas condições de quem crê que a coisa é produzida por tratado internacional (e bem sei que o homem não é ingenuo, o que apenas agrava a coisa).
    Meu caro Nuno, se há possibilidade, hipótese, nos tempos que correm, de crescimento saudável será exactamente na substituição de importações.
    Por ora, apenas isto!
    Um bem haja para si!

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