Marcações e demarcações

O verdadeiro uniforme do 5dias é o tronco nu, porque aqui não há camisolas para vestir. Cabe cá tudo – nos posts e nos comentários – o que couber nas fronteiras largas do free speech, mesmo que uns de entre nós não gostem do que os outros escrevem. Tenho perfeitamente consciência de que o meu sportinguismo solipsista, por exemplo, é uma doença que não afecta muitos mais, e, também por exemplo, posso acrescentar que a invocação de Pedro Namora ou a glorificação do empurrão ao Papa é algo que me incomoda – até porque, apesar de incréu, pertenço com honra a uma tradição política que sempre respeitou o catolicismo enquanto religião (o que é distinto de criticar a prática política da Igreja). A crónica do Ferreira Fernandes no DN de ontem, em princípio, ter-me-ia incomodado tanto quanto os meus humildes escritos o incomodam a ele, que mais do que provavelmente não os lê: nada; só chegou a incomodar-me porque inclui um ataque rasteiro, ad hominem, à pessoa do meu amigo Nuno Ramos de Almeida, e não às ideias que ele defende. Dito isto, eu não marquei o FF para nada, nem passei procuração a ninguém para o fazer em meu nome. Gosto da iconoclastia do Carlos Vidal, aprecio a presença dele neste blog e defendi-a quando foi posta em causa; dito isto também, com frontalidade e camaradagem digo ao Carlos que aprecio o gesto, mas não me sinto incluido no seu “aqui na esquerda radical”, porque para mim o 5dias é apenas uma pluralidade de pessoas, e não uma pessoa colectiva.

Sobre António Figueira

SEXTA | António Figueira
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