Fodidos, talvez


NAM JUNE PAIK. In-Flux House. 1993.

«Os três canais foram iguais [na noite eleitoral] numa coisa: fizeram cartel, programando todos os intervalos publicitários em simultâneo. Sócrates nunca referiu a perda de votos, de deputados e da maioria absoluta no discurso; e a essa realidade virtual correspondeu o tom geral das TVs. Com a TVI domesticada (Sócrates deu a sua primeira entrevista ao canal no último dia de campanha), com a RTP na mão e a SIC alinhada com a estratégia da central de propaganda do PS-governo, o partido de Sócrates dispõe dum poderoso aliado para formar coligação: a TV generalista (…). Quanto aos comentadores, quase nada adiantaram. À parte na RTP1 Vitorino, que deu a análise oficial do PS, e Marcelo, que deu a análise de um PSD semi-independente, não houve comentário inovador. É porventura outro sinal do que nos espera na política e na comunicação: nenhum entusiasmo, nenhuma certeza, muita negociação e conversa em plano descendente, mas com a coligação PS-central de propaganda alimentando a irrealidade enquanto o poder se exerce.»

Eduardo Cintra Torres, Público (via Portugal dos Pequeninos)

Este texto de Cintra Torres não é propriamente de hoje – mas é desta semana e é do FUTURO próximo.

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