Um homem só

Como suponho que a maioria dos portugueses, achei a alocução do PR uma trapalhada. É espantosa a erosão que sofreu o prestígio do PR: o único partido que soou vagamente cavaquista nos seus comentários foi o PP (a última confirmação da velha tese de que a natureza tem horror ao vazio, e o carro da direita tem sempre um pneu sobressalente) e, mesmo reconhecendo que grande parte dos opinadores televisivos são hoje, e para o que mais conta, pró-governamentais (vá-se lá saber como), até doeu ver os tratos de polé a que o homem foi sujeito. Da história, até agora [The Story So Far, é o título das memórias do Eric Ambler], consigo cheirar o perfume da provocação, dos golpes e contra-golpes, uns bem-sucedidos, outros canhestros à brava; conto agora com o Prof. Marcelo e com o Prof. Louçã para ir conhecendo por antecipação as cenas dos próximos capítulos, que adivinho edificantes. Entretanto, conto igualmente com o jogo de quinta-feira com o Hertha para voltar à realidade [The Return of the Real: Hal Foster, todas as gerações a humanidade acredita que está à beira do abismo, Benjamin dixit, e todas as gerações a arte regressa ao real] e faço minhas as palavras de Dias da Cunha, porque se o provocador Vítor Pereira é sócio do SCP, está na altura de os outros sócios correrem com ele (é assim que se trata a vil provocação).

Sobre António Figueira

SEXTA | António Figueira
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