Um post a la manière de Simplex

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A vida não sorri a Paulo Campos. Logo a ele: um moço criado desde a mais tenra meninice na convicção de que um grande porvir como Estadista o aguardava. Agora, enquanto os anos avançam e o cabelo recua, onde está a glória da liderança, o retrato na capa da Time, a merecida vassalagem por todos os camaradas de partido? O futuro prometido tarda e Paulo desespera.
Mas não temos aqui criatura timorata ou indecisa. Ele já tem um plano para cair nas boas graças do chefe e aproximar-se mais uns centímetros dos cadeirões do verdadeiro poder. Ele vai dar nas vistas. Afastar a obscuridade, refulgir com o brilho dos veros predestinados. E o plano é simples: ele vai negociar uma contratação para o seu partido. Algo em grande, assim como a transferência do Ronaldo, mas mais sexy.
O alvo surge-lhe de imediato: como é que se chamava aquela moça gira do Bloco, que andou a fazer de neta do Mário Soares? Ah, sim, a Joana Amaral Dias.

E se ela não quiser enterrar-se em vida na AR? Fácil: sendo das coisas da psicologia e da cultura, qualquer colocação de prestígio num desses institutos dos drogados ou num museu vai ser boa moeda de troca. Ou então, um lugarzito no próprio Governo –  se o chefe até meteu um tipo qualquer, por engano de nomes, a mandar na Cultura, certamente que a tal JAD não irá fazer pior. E que golpe, por Deus, que golpe: saca uma figura de proa ao odiado Bloco, as listas rosa ficam mais esquerda-caviar e ele mesmo, Paulo Campos, surge como o fautor do milagre. Toca de anunciar o plano ao chefe (não vá o Demo tecê-las) e telefonar à potencial trânsfuga.

O resto é a pequena e manhosa história desta campanha. O esperançoso secretário adjunto teve de se imolar na praça pública, tartamudeando desmentidos e admissões parciais em prime-time com a graciosidade de um Zero a estampar-se num porta-aviões americano. Lá longe, jaz morta e apodrece a carreira do menino de seu pai.

Aviso aos distraídos: para o caso de não ter ficado claro, eu não conheço Paulo Campos e não faço ideia se esta descrição é sequer vagamente adequada. O que não tem impedido Simplexes e acólitos de debitar prosas caluniosas de teor similar a propósto da JAD. O que aqui é uma simples graçola mimética é por aquelas bandas tido por forma aceitável de análise política.

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