Os lulus ficaram raivosos (2)

VampirePoodle

Joana Amaral Dias apoiou Mário Soares. Este «ficou em terceiro lugar, JAD não recolheu o protagonismo que pretendeu». Claro que foi castigada pelo chefe Louçã, que prontamente lhe retirou «as luzes com que JAD gosta de se iluminar». Depois de lambidas as feridas, ela «não aguenta o anonimato» e vai de inventar um belo esquema para se auto-promover: «contar uma conversa privada, sem qualquer relevância até por ser só uma coisa entre duas pessoas».
O objectivo só podia ser um, coisa fácil de adivinhar para qualquer vidente de subúrbio: «era tempo de reacender as luzes e reaproximar-se do seu querido líder, agora que se pressentem perspectivas de futuro». Moral da história? «o BE é uma força de contra-poder onde os seus militantes estão impedidos da liberdade de ousar desafiar a numenklatura (sic) sob o risco do rótulo de tráfico de influências.»

Dizia o Vasco M. Barreto que as gajas tinham sido as mais ferozes a atacar a JAD. Até isto. O repugnante naco de prosa que acima resumi pretende radiografar à distância as intenções de alguém que patentemente nem se conhece. Traçando, de caminho, o retrato de uma deslumbrada em perpétua caça aos holofotes, de uma calculista que nada sonha para lá dos favores do líder. JAD, a triste exibicionista que nem respeita as sacrossantas conversas privadas – no patusco linguajar de Luís Novaes Tito (assim se chama o responsável pelo asco); a tal «coisa entre duas pessoas» obviamente protegida pela omertà, a lei do silêncio conveniente aos crápulas e bandidos (presumo que uma amigável chantagem ou ameaça de morte entre duas pessoas também estaria OK). Por fim, chega a fábula ao Bloco: o escriba faz de conta que não percebeu que a acusação de tráfico de influências foi dirigida ao seu partido porque uma das suas figurinhas de segunda geração provavelmente ofereceu um cargo estatal em troca de apoio partidário.

Sabia que se esconde muita coisa feia debaixo das grandes pedras dos partidos. Mas é sempre motivo de susto ver bicharada tão descaradamente viscosa e agressiva. E será que este exercício calunioso teria acontecido se o alvo fosse antes um homem, barrigudo e careca?

PS: Já agora, estou à vontade para escrever tudo isto: os meus parcos contactos com JAD revestiram-se de alguma acrimónia e não sou militante nem (palpita-me) votante do BE.

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4 Responses to Os lulus ficaram raivosos (2)

  1. Luis diz:

    “porque uma das suas figurinhas de segunda geração provavelmente ofereceu um cargo estatal em troca de apoio partidário.”

    Ah! Provavelmente…

  2. Luis Rainha diz:

    Mas claro. Como posso eu ter as certezas do amigo LNT, que tudo sabe mesmo sem fazer ideia do que fala?
    E digo “provavelmente” dada a evolução que a criatura de Estado teve ao longo deste manhoso caso: primeiro negava tudo, hoje já só nega parte, amanhã se calhar já admite tudo. Se comprovadamente a JAD falou verdade sobre o convite, apostaria que também não mentiu quanto às contrapartidas sobre a mesa.

  3. LAM diz:

    3º lugar na lista por Coimbra? claro que o secretário-geral do partido, por inerência 1º ministro, nem teve nada a ver com isto. Quando tal a culpa ainda vai cair no primo do kung-fu lá na China…

  4. i.tavares diz:

    Absolutamente de acordo com a sua análise.Mas por curiosidade, desculpem a minha ignorância, num partido,BE, tão vincadamente ideológico,markxista, trotskista, leninista,stalinista,maoista.Onde cabe a JAD. Quanto aos “Lulus”.Ossos.

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