Repetições

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Imagem fanada a um post do Luís Rainha do René Magritte

Um dos poucos poemas de Joseba Sarrionandia que conheço fala do viajante no seu labirinto. Quando o lia, tendia a pensar nas pessoas enredadas nas suas convicções. Hoje, parece-me ver uma espécie de leitura de vida. A tentativa repetida de traçar os mesmos caminhos, de procurar pessoas, de tentar relações. Nós não repetimos circunstâncias para ultrapassar erros, nós repetimos tudo para manter os mesmos erros. Acho que é Dashiel Hammet que coloca a seguinte história num dos seus livros. Um homem comum, vivendo numa casa vulgar dos subúrbios norte-americanos, desaparece. O detective é contratado e descobre o homem numa terrinha igual, a centenas de quilómetros, vivendo numa casa semelhante, tendo uma família parecida e um emprego equivalente. O resultado do seu acto de ruptura tinha sido exactamente o mesmo. Parece que a sua liberdade estava apenas na possibilidade de romper, como se o acto de recomeçar o levasse mais perto do começo que do fim. Como se a vida tivesse a ilusão de recomeçar com todas as hipóteses em aberto. Às vezes parece-me que andamos sempre à volta dos mesmos erros, tentando desesperadamente uma saida nos mesmos actos. Na melhor das hipóteses: falhar, tentar de novo, fracassar melhor.

“El viajero se aventura a través del labirinto
aunque apenas sí recuerda cuándo ni por dónde entró.
Supone que el camino ha de ser un laberinto
Pues advina en lo nuevo reflejos del ayer.
Mas no son reflejos amables, son vástagos del miedo
Pues le revelam que cae, que se derrumba hacia el centro.
Pero hay un centro acaso?
No cae hacia los bordes?”.

Sobre Nuno Ramos de Almeida

TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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