O que António Costa necessita e ninguém lhe deveria dar

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Claudio Monteverdi – na lista de apoiantes de António Costa.

As listas de apoiantes de António Costa, quer na primeira vez que se candidatou à Câmara de Lisboa quer presentemente, são reveladoras da envergadura da personagem. Pequena, pequena a todos os títulos. Na sua primeira Comissão de Honra fui encontrar gente por quem tenho a máxima estima e admiração, mas não poderia destacar nenhum nome (ou um, vá lá: Helena Almeida), pois nela constava tudo de tudo de tudo: gente de todas as profissões e áreas de trabalho (o que me parece bem), e gente de todos mas todos os quadrantes políticos, o que comprova o meu comentário inicial sobre a personagem “António Costa”, que deseja e precisa de viver apoiado no mérito dos outros. Com “todos os quadrantes políticos” quero eu dizer gente que vem da esquerda “dura” à direita “dura” (entre militantes e ex-militantes de tudo um pouco), artistas e militares, arquitectos e escritores, secretários-gerais e ministros, ex-presidentes da República (acho que sim, não tenho a certeza, mas lá estava tudo o que existe e existiu na política em Portugal, de Cavaco Silva a Marcel Duchamp, de William Shakespeare a Vasco Lourenço e de Velázquez a Lord Byron, para já não falar de Mahler e D. João V).

O presente “movimento” de artistas e gente da cultura que apoia Costa a mim não me diz nada por muito que eu, repito, admire certos dos seus actuais militantes (sinceramente, não sei quem é Eduardo Pitta, mas admiro muito Eduardo Lourenço ou mesmo Rui Vieira Nery, por exemplo). Acho que um artista não se engrandece nem se diminui apoiando um político potencial vencedor de qualquer coisa: acho que a obra do artista, por muito que apoie quem eu nunca apoiaria, a meus olhos (que contam pouco) não se engrandece nem se apouca. O político é que se engrandece (pequeno, gosta de ter ao seu lado grandes figuras) ao mesmo tempo que revela a sua pequenez (um grande artista fá-lo ser visto como uma pesonagem ainda mais pequena). Pensarei das obras artísticas respectivas o mesmo que sempre pensei e penso. Por acaso, por mero acaso, não encontro entre os apoiantes de Costa artistas com a dignidade e grandeza de um Herberto Helder, Manuel Gusmão ou Luís Miguel Cintra, mas isto são gostos e manias minhas, talvez. No entanto, repito, numa coisa chamada CLAC (acho eu que é o nome que lhe deram) estão nomes que muito valorizo.

Julgo que quem sai apoucado disto é o próprio António Costa, porque necessita, em cada eleição, de comissões sempre constituídas por mais de 500 ou 1000 ou 10000 pessoas para tentar ser algo; agora, por exemplo, presidente da CML.

(Adenda 18:33 – Parece-me, não estou certo, que Cintra apoia Costa. É um erro meu paradoxal: erro meu sim (que não reparei no Expresso online) e, simultaneamente, confirmação do post; retiro uma frase lá de cima: o político “revela a sua pequenez (um grande artista fá-lo ser visto como uma personagem ainda mais pequena)”.)

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6 Responses to O que António Costa necessita e ninguém lhe deveria dar

  1. Pingback: cinco dias » Confesso que me sinto um poucochinho vexado com os apoios que Costa tem “obtido” (na “caça a celebridades” da esquerda direita acima abaixo)

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