Vidas difíceis

Estava a ver aquele programa da RTP-N ou lá o que é, com o Carlos Abreu Amorim e o Emídio Rangel, perguntando-me o que faria o João Galamba naquele coito do verbo fácil e irrelevante. Depois, quando ele começou a falar da “Intersindical, o maior sindicato português” e a ecoar a história do PCP mau que estragou o “bom acordo da Autoeuropa” – esquecendo que tudo ficou decidido mediante o voto dos trabalhadores, não por édito do camarada Jerónimo – percebi. Aquilo de arranjar um nicho de mercado como opinador dá trabalho, exige sacrifícios e obriga a compromissos. Tal ficou tristemente patente quando o veterano da penosa labuta, o ex-jornalista Rangel, começou a elencar os mil e um horríveis defeitos de Manuel Alegre, recusando-se no entanto a afirmar não o querer ver como candidato presidencial do PS – presumo que aguardando um fax do Largo do Rato. Que triste espectáculo.

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3 Responses to Vidas difíceis

  1. Eu vejo esse programa propositadamente para me irritar; é assim uma coisa inexplicável. Devo andar cansado de ter uma vida feliz e despreocupada.
    Nesse programa, a meu ver, o Carlos Abreu Amorim é o único capaz de uma opinião em certa medida distanciada (embora a iniludível inclinação); e, verdade seja dita, o Rui Tavares também próximo disso embora uma mais marcada inclinação.
    O Emídio Rangel está xéxé e faz um lambe cú ao governo e ao PS que não lembra ao diabo; seria nojento se não fosse da ordem da “pataratice” inimputável.
    E o João Galamba, enfim. Alguém lhe diga que se dedique apenas à escrita; mal por mal sempre tem mais tempo para juntar as palavras de maneira menos atarantada.
    O risinho cínico ao falar de Santana Lopes não é coisa de comentador; alguém lhe explique por favor.

  2. Antónimo diz:

    que os publicistas do capital ou de outros partidos tentem passar essa ideia até percebo. que os jornais se convençam que 51% dos trabalhadores da autoeuropa são manipulados pelo PCP já me parece estranha burrice.

    além do mais, se assim fosse, alguém acredita que os blogues estivessem tão caladinhos (como os próximos do bloco, cujo carácter sectário surgiu em todo o esplendor no arrastão de 1 de maio – desfazendo-me de vez ambivalências quanto a votos) ?

  3. Nunca vi esse programa nem quero ver.
    Tenho muita consideração pelo Rui Tavares e pelo Carlos Abreu Amorim.
    Não conheço o João Galamba nem quero conhecer.
    O Emídio-Berbequim-Rangel é das coisas mais execráveis que anda por aí. Sempre foi.

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