O birrento

Pacheco Pereira tem muito espaço na comunicação social. Sendo um homem inteligente, tem merecidamente essa importância social. Há muita gente inteligente de outros quadrantes políticos que não goza dos mesmos favores. Estou-me a lembrar, por exemplo, de um homem como Vitor Dias, que pelo facto de ser do PCP tem as suas opiniões silenciadas na grande comunicação social. Apesar de justamente ter conquistado esse espaço, Pacheco Pereira pretende mais do que isso, quer um tratamento de favor. Quer a possibilidade de formatar o resto das páginas dos medias às suas ideias. Quer ser intocável. Esta birra do historiador da Marmeleira é muito feia. Se Manuel Alegre dissesse numa entrevista: “Sócrates é corrupto”, Pacheco não se admirava que isso fosse título. Como é Menezes que o acusa de ser vazio de conteúdo, isso é um insulto intolerável e os jornalistas estão proibidos de o passar a título, e têm que pedir desculpas. É pena que um homem tão inteligente se esgote em comportamentos tão própios de pequenos tiranetes.

NOTA: O melhor comentário sobre o assunto.

Sobre Nuno Ramos de Almeida

TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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24 Responses to O birrento

  1. Pascoal diz:

    Diz ele: “a não haver um pedido de desculpas pela afronta, não autorizo a sua publicação”.
    Acho que o BES também deixou de lhes contratar publicidade por causa de uma merda qualquer.

  2. antónimo diz:

    Birra, do falácias da marmeleira? O problema não é ele ser inteligente – nem conseguir viver sem trabalhar – o problema é que há quem o ouça.

  3. maradona diz:

    isto é passar de ter um bocadinho de razão para o mais completo exagero, o que naturalmente anula o bocadinho de razão inicial. ainda há pouco tempo se podia ler crónicas do vitor dias no Público, ou estou enganado? já não? para além de ser tudo muito mal escrito (basta ler o blogue agora, aliás), aquilo não tinha ponta de interesse, refletindo a impressora a laser o que toda a gente sabe que são as opções e opiniões do PCP; mesmo a auto-crítica era tipicamente “PCP”, com o o jargão da “reflexão” a ser um pleonasmo de “deixar passar o tempo”. se é verdade que “silenciaram” o vitor dias, estamos perante um acto de extremo bom gosto e justiça. agora qualquer gajo que seja despedido dos jornais, ou que ninguém queira ouvir, passa imediatamente a “silenciado”. a questão é a seguinte: como é que alguém, alguma vez, quis ouvir o vitor dias?

  4. antónimo diz:

    Seria também interessante recordar os motivos que levaram à saída de Pacheco Pereira para o Público, também na sequência de tentar condicionar a liberdade editorial do jornal.

    Na única vez em que esteve à beira de ter um trabalho que lhe desse algum trabalho – o de líder da bancada laranja na ar, cargo de pouca dura – também se lembrou que os jornalistas deviam andar de gravata.

    Estranhas concepções de liberdade de imprensa num tipo com quem os jornalistas são humilhantente acríticos, acéfals, e miseravelmente subservientes.

    Mas como despediram os Mesquitas e os Mascarenhas deste mundo…

  5. carlos graça diz:

    still life… by suede

  6. Nuno Ramos de Almeida diz:

    Maradona,
    Estás enganado. O Vitor Dias não escrevia há pouco tempo no Público. Sobre escrever bem, deixa lá: os que lá estão no Público e nos outros jornais escrevem maravilhosamente bem, e não têm nenhuma agenda política , nem nenhum discurso de chavões? A diferença é que é o discurso de chavões da malta que manda. Vais-me dizer, por exemplo, que aquela meia duzia de cronistas do I, tirando o Lomba e o João Rodrigues, acrescentam alguma coisa?

  7. antónimo diz:

    O maradona é que eu não quero ouvir, garanto.

  8. maradona diz:

    nuno ramos de almeida

    se calhar não, mas isso é como em todo o lado. quer dizer: não é propriamente fácil “acrescentar” alguma coisa ao que quer que seja. só não acho um escandalo terem “silenciado” o vitor dias, principalmente se a coisa for comparada com o pacheco pereira, que é um gajo, com todos os seus defeitos, que tem zonas de intervenção política (guerra contra santanas e menezes) e cívica (cultura) onde ele é quase insustituivel.

  9. Nuno Ramos de Almeida diz:

    Meu caro Maradona,
    Estamos a falar nuns órgãos de comunicação social que têm como comentadores os imensos émulos do brilhante João Carlos Espada, que inventaram o Raposo e em que a maior novidade do último ano foi o triunfo do Pedro Marques Lopes, que escreve como ninguém as imensas agruras metafísicas da vida no bloco central, combinada com a descrição fantástica da selva no PSD. Eu como me estou a cagar no bloco central – como eu , mais de 22 por cento dos animais que foram votar nas europeias – , gostávamos de ler outros tipos. Peço-te desculpa, mas o Vitor Dias tem mais cultura e interesse do que os gajos de que estamos a falar. Não sai é à noite nos mesmos sítios que os bloggers, nem defende os proprietários dos medias. E é essa a questão.

  10. maradona diz:

    nuno ramos de almeida

    acho que a questão nem é de ser bloco central ou não ser bloco central. é mesmo de se ser interesante ou não. deve haver gajos interessantes em todo o lado (enfim, generalizamos). não tenho maneira de explicar isto. acho que nem sei enumerar as razões que fazem (ou nao) uma pessoa interessante aos meus olhos. às vezes são questões de pormenor, outras vezes são cenas mesmo já para o filosofico. não lamento o “silenciamento” do vitor dias, é só isto que queria dizer, como não lamentaria o do espada ou do raposo. o que me importa menos é o equilibrio ideologico da soma dos “silenciamentos”. nesse aspecto não sou lá muito democrata, desculpa. felizmente o capitalismo deixou que se desenvolvessem maneiras de os “silenciamentos” serem cada vez menos eficazes, como esta coisa dos blogues. é ou não é?

  11. Nuno Ramos de Almeida diz:

    Meu caro, percebo perfeitamente. Acho é que o interesse, tem outros critérios que o teu gosto pessoal e, sobretudo, não é na maior parte dos casos uma avaliação universal. Tirando, talvez, a apreciação da lista telefónica como romance.
    De resto, estou completamente de acordo, o capitalismo é conhecido pela sua preocupação de pluralidade, por isso é que os órgãos de comunicação defendem ideias tão diferentes e normalmente a publicidade é feita nos órgãos de comuicação social de extrema esquerda. Nos blogues não se nota na sua audiência, o facto dos seus autores aparecerem na televisão e serem cronistas de jornais. Estou , aliás, convencido que a popularidade do Abrupto se deve à requintada escolha de quadros e aos marvilhosos poemas. De resto, o capitalismo é perfeito, é tão certo os blogges serem uma invenção do capitalismo, como as fotos do Che Guevara, e depois?

  12. Andreia Steiner diz:

    Maradona:

    Deixo aqui três exemplos do aprumo da tua escrita:”refletindo”, “escandalo”, “insustituivel”. Para quem crítica o V. Dias de escrever mal…

  13. maradona diz:

    eu não disse que o capitalismo tinha inventado estas merdas, disse que não fez nada para o evitar (o grande mérito do capitalismo, quando o tem, é sempre na ordem do “não ter feito nada” contra – ou a favor). eu não disse que o capitalismo defende a pluralidade, até porque não sou assim um amante desmesurado da pluralidade. eu nunca disse que a minha opinião sobre o vitor dias não era só a minha opinião, disse apenas que a minha opinião era a de que não lamentava, e até louvava, o seu “silenciamento”, que me parece perfeitamene adequado. eu disse, acima de tudo, que a comparação entre o vitor dias e o pacheco pereira era infeliz para o ponto que o nuno queria fazer. aliás, se tivesse sido dado outro exemplo, eu não estaria aqui.

    abraço
    maradona

  14. Andreia Steiner diz:

    Acerca de intelectuais mediáticos, não me recordo de texto mais brilhante: http://www.monde-diplomatique.fr/2004/10/ONFRAY/11576

  15. 00 diz:

    o Nuno Ramos de Almeida acha mesmo que tem estado a conversar com o maradona????????????????

  16. Rosa Mendes diz:

    É claro que JPP tem toda a razão. A entrevista de Menezes, sendo uma chachada, como tudo o que sai da boca dele, tem alguns aspectos com interesse (designadamente o facto de ter deixado de dizer mal da Ferreira Leite … o que faz a necessidade), mas o que diz sobre JPP não tem interesse nenhum e nem se percebe. Pois foi logo essa frase que o Paulo Pinto Mascarenhas foi escolher para a capa do jornal… Porque será? Já nos esquecemos dos blogues que ele criou e que tinham como principal objectivo bater em JPP? Já nos esquecemos da sua amizade filial com Paulo Portas?

    Já, já nos esquecemos porque ele agora manda num jornal e não há glória maior a que o blogger nacional aspire do que ser “promovido” à imprensa escrita e séria (e de preferência paga) .

    É óbvio que o que ele fez foi uma pequena sacanice e que JPP está no seu direito de não pactuar com merdas.

  17. Tudo certo, o unico problema aqui é que Vitor Dias não pode ser inteligente, pois é Comunista. E isso está mais do que provado que não bate certo.

  18. Pingback: cinco dias » O estado natural das coisas

  19. pedro sousa diz:

    bom dia, parece-me mais uma birra de quem, não tendo elevação intelectual para contrariar (muita evidências e pensamentos bem explicitados) por Pacheco Pereira, procura cada pequena coisa para “malhar” em JPP…ou crê que a frase é importante na entrevista, dum antigo líder do PSD e ex possível candidato a PM, mais que outras sobre a situação do país e não só? Não conheço o senhor que escreveu este post…mas permita-me que o aconselhe a pensar mais e melhor este país…de loiras estamos fartos….passe bem

  20. Nuno Ramos de Almeida diz:

    Pedro Sousa,
    Convinha ler o que eu escrevi antes de comentar. Eu não subscrevo a afirmação de Menezes, apenas acho legítimo que Menezes possa ser entrevistado e essa frase possa ser escolhida para título. Acho que Pacheco Pereira tem todo o direito de se irritar com a frase, é apenas imbecil pretender que os jornalistas o querem insultar, exigir desculpas e mesmo deixar de dar entrevistas a esse órgão de comunicação social. De resto estou em desacordo consigo, embora não escolhesse Pacheco Pereira como loira, acho que há loiras a menos.

  21. pedro sousa diz:

    Boa tarde, admito que possa ter percebido algo mal ou desproporcionado, mas, o Sr é que apelida de birra o que eu chamo de posição legítima e que JPP pretende um tratamento de favor,o qual, também não concordo e já agora “sócrates é corruto” parece-me o título de qualquer media independente e inteligente…

  22. Antónimo diz:

    Claro que quando, mais acima, falei nos Mascarenhas despedidos falava do Oscar e não do Paulo Pinto, que tem outros encantos para o poder laranja e portista. É meiguinho e não morde mãos nem tem a mania que é independente.

  23. joana de freitas diz:

    Para quem não saiba, os artigos do Vítor Dias, no ano em que escreveu no »Público», estão todos aqui em http://ocerejal.blogs.sapo.pt/ com índice e tudo.

    Quem quiser avaliar a justeza do que sobre eles diz Maradona, pode dar-se ao trabalho de ir lá, escolher os que lhe apetecer e julgar.

    Por mim, acho que o preconceito, os clichés e a cegueira do Maradona ficam bem à vista,para tanto bastando ler quatro artigos – dois em polémica com Vasco Pulido Velente sobre o fascismo em http://ocerejal.blogs.sapo.pt/7780.html e
    http://ocerejal.blogs.sapo.pt/7595.html, um intitulado «A viagem do PIB» aqui em http://ocerejal.blogs.sapo.pt/11888.html e outro intitulado «Perguntem ao Jack» aqui em http://ocerejal.blogs.sapo.pt/9825.html

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