Até quando vamos ter de suportar esta situação?

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O SOL recuperou os documentos de identificação da sociedade offshore que em 1998 vendeu um apartamento no Edifício Heron Castilho a Maria Adelaide Monteiro, mãe do primeiro-ministro, e que desapareceram do 21.º Cartório Notarial de Lisboa, onde foi feita a escritura de compra e venda.
Os documentos da Stoldberg Investiments Limited mostram que esta offshore, com sede nas Ilhas Virgens Britânicas, tem como procuradora uma portuguesa que vive com o líder de um grupo imobiliário perseguido em França por ligações à Camorra e que reside agora no Algarve.
O desaparecimento dos documentos tinha sido participado pela Ordem dos Notários, tendo o Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Lisboa instaurado já um inquérito. O SOL encontrou cópias autenticadas desses documentos no 2.º Cartório Notarial de Lisboa – onde, quatro anos antes, a Stoldberg comprara o apartamento em causa à Heron Internacional (outra sociedade offshore, proprietária da maioria deste edifício situado na rua Castilho, em Lisboa, onde o primeiro-ministro também comprou um apartamento dois meses antes da mãe, por 47 mil contos).

DISCLAIMER (como também, nestes casos, se costuma escrever): até agora, que eu saiba, ninguém da família de José Sócrates está envolvido em nenhum processo judicial, seja como arguido, seja como suspeito – mas fiz este post por achar que quase todas as investigações jornalísticas que têm sido publicadas nos últimos meses são fortemente credíveis. É a minha opinião, e esta nenhuma forma de pressão, ou processo ou o que quer que seja pode demover; é a minha opinião, repito, que nada pode mudar ou neutralizar.

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12 respostas a Até quando vamos ter de suportar esta situação?

  1. carlos graça diz:

    O Manoel de Oliveira que realize uma muito-longa-metragem : Portugal, o País dos Inocentes

  2. Saloio diz:

    Excelente post, caro Carlos Vidal (e corajoso, que nos tempos que correm é arriscado).

    Concordo consigo e fico à espera das investigações da venda.

    Se através dessas investigações eu conseguisse perceber como é que a mãe do Sr. Eng.º Sócrates consegue ter aquela pensão de reforma, tendo descontado tão pouco…também gostava de aprender.

    Digo eu…que sou bom aprendiz.

  3. Nuno Costa diz:

    Tanta coragem no comentário ao freeport!
    E coragem no comentário ao BPN?

  4. Carlos Vidal diz:

    Gosto dessa comparação entre o freeport e o BPN. Ainda bem que a faz.
    Porque o que se me afigura dizer é isto: misteriosamente, a investigação BPN andou muitíssimo mais depressa que a do Freeport!!

    E quanto à investigação BPN, nada a dizer – culpe-se quem é culpado, prive-se de liberdade quem deve ser privado, etc, etc. Aliás, é mais um caso que implica o “bloco central”.

  5. almajecta diz:

    Qual bloco central qual quê… Implica como já vem sendo hábito a família total, ou seja as habituais famílias, contudo e levando em conta os estudos teológicos e de género há sempre uma fatma que espera por sí e pelos nossos heróis da sistémica justicialeira.

  6. Enojado diz:

    Quando há notícias do Freeport, logo aparece um socretino a falar do BPN.
    Pobreza de espírito.

  7. ó pá, esta história nem numa novela mexicana. agora é uma procuradora, que não do MP, vá lá, casada com um tipo procurado por pertencer à máfia. Isto nem no velho Soap.
    Parafraseando a série de grata memória:Confused? You won’t be, after the next week’s episode of… fripór

  8. Saloio diz:

    À cerca do nosso primeiro, repito o que já disse noutro lado:

    De facto, o Eng.º Sócrates é um produto da tecnocracia, de uma geração mais nova arredada da cultura política.

    Não se esqueça que ele começou no PPD/PSD e só mais tarde virou para o PS, numa altura em que o Dr. Mário Soares já tinha posto o socialismo “na gaveta”. Segundo este, possuidor de uma biblioteca considerável, nunca tinha conseguido ler Marx, porque os textos eram muito “chatos” e “desinteressantes”.

    Onde Sócrates sempre se mostrou exímio foi na propaganda, pelo que não é de estranhar o seu comportamento nas entrevistas – apenas responde ao que quer e como quer.

    E foi o seu sentido tecnocrata que o levou a convidar o Dr. Dias Loureiro para apresentar ao público a sua “biografia” – ou já se esqueceram deste acontecimento?

    Sendo injusto não reconhecer ao nosso primeiro-ministro qualidades ímpares de destaque, como o empenho, a vontade de transformar, e o cumprimento de um rumo com algum norte, até pela sua juventude, seria espectável deixar o seu nome ligado a outros europeístas de renome, como Blair, Gonzales, ou Merkl.

    Não sei, contudo, se ele ficará na História (como os referidos mais Soares, Mitterand, ou Suarez), mas a verdade é que o número de escândalos que o envolvem mais a sua família próxima, não permitem equacionar algo de bom.

    Interna e pessoalmente, aponto-lhe dois defeitos de monta, fruto da indicada tecnocracia:

    1º – ódio aos pobres – consubstanciado no aumento da idade de contribuições; pagamento de IRS pelos reformados de fracos recursos e posses; quase extinção de juros nos certificados de aforro; fim da isenção fiscal dos deficientes; aumento das taxas moderadoras; fecho dos atendimento médico na província; fecho das maternidades; inexistência de aumentos na função pública; etc..

    2º – teimosia exacerbada – a insensibilidade de ouvir os outros, baseada numa manifesta convicção de certeza (teoria que não é nova, pois já havia quem “nunca tenha dúvidas e raramente se enganava”), traduzida num empenho exagerado nas grandes obras do regime (há que pagar aos empreiteiros, não é Dr. Coelhone), das inceneradoras enquanto secretário de estado, e da sua luta feroz e desapiedada contra as classes profissionais: contra os funcionários públicos, contra os reformados, contra os juízes, contra os polícias, contra os professores – contra tudo e todos, porque ele gosta mais assim.

    Diz até que se sente mais estimulado…

    Enfim, fico a aguardar por quem será o convidado a apresentar as suas memórias políticas dos seus anos no governo, daqui a uns tempos…talvez Júdice, ou mesmo Paulo Portas…

    Digo eu…

  9. fox diz:

    Ó senhor Carlos Vidal, traduza lá, ou diga-lhe a ela que o faça, a Ana Cristina Leonardo, aquela frase em estranjeiro que deverá ser muito importante para a compreendermos, ou não a teria escrito. Quando aqui cheguei à Internet, há uns tempos atrás, fiquei deslumbrado com as potencialidades que esta merda tinha para se congeminar a revolução, tanta gente culta aqui a escrever coisas tão importantes, e sem ninguém a censurá-los, só poderia dar merda, a malta aprenderia e depois, todos juntos, bora prás urnas de voto ou para onde fosse preciso dar de pantanas com o estado em que se encontram as coisas. Afinal, andam praqui os intelectuais de pacotilha a masturbar-se uns aos outros a mostrar que a minha culturazinha é maior ca tua, e nem um milimetro se avança. Se calhar interessa a todos que assim seja, por que, revolução sim senhor mas desde que não nos toquem no nosso stacto… status, é assim que afinal está aqui no meu dicionário Porto Editora, Lda de 1980. Abraço para si.

  10. saloio_sou_eu diz:

    Corra-se com o dito!

  11. almajecta diz:

    às vezes bate-me uma tristeza surda capaz de fazer chorar as pedras da calçada e da “poetry of revolution”.

  12. caro fox, confuso? não o estará, após o episódio da próxima semana do… fripór
    mais qualquer coisinha que tenha que ver com o estrangeiro, é só pedir

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